Armação Ilimitada

Cultura #dubrasil

em 16 de março de 2020

Estamos no Brasil e o ano é 1985. O regime militar dava seus últimos suspiros depois de 21 anos reprimindo o povo brasileiro. A juventude estava com sede de quero mais, de poder exercer seu direito de ir e vir, de pensar, de cantar, de dançar, de ser livre.

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Eis que surge na ‘enigmática’ Rede Globo de televisão aquela que se tornaria a série de tv mais revolucionária de todos os tempos, Armação Ilimitada.

Os amigos Juba e Lula, interpretados por Kadu Moliterno e André de Biasi, dois jovens surfistas apaixonados por esportes radicais, adeptos de um estilo de vida saudável e cheio de emoção, são proprietários da empresa que dá nome ao programa. Juntos eles topam vários bicos para ganhar a vida. Zelda Scott, personagem de Andréa Beltrão, é uma jornalista recém chegada da Europa, onde passou um período morando com o pai, exilado político, apaixonada por Simone de Beauvoir e namorada da dupla. Sim, em 1985 tivemos um programa cujos personagens principais viviam o poliamor. E pra família ficar completa, o pequeno Bacana, Jonas Torres, um garoto que fugiu do circo e vivia nas ruas do Rio de janeiro, foi adotado pelo trisal.

As cenas em que aparece o chefe, personagem de Francisco Milani, editor do jornal em que Zelda trabalhava, são as mais nonsense possíveis. Os diálogos, divertidos e meio neuróticos, são sempre retratados ao pé da letra, como por exemplo numa passagem em que a jornalista fala pro chefe que ele “está uma pilha”, então ele aparece vestido de pilha; ou quando ela diz que ele “está uma flor”, lá vem o chefe com a cabeça no meio de uma margarida.

Visualmente, Armação Ilimitada era um show à parte: cenas tipo histórias em quadrinhos, cores vibrantes, edição igual a vídeo clipe, cenas de nudez com tarjas pretas tapando as partes íntimas, o DJ Black Boy, na verdade uma mulher interpretada pela atriz Nara Gil, que ficava parado num estúdio de rádio com o rosto a meia luz, fazendo pequenas intervenções entre uma cena e outra.

Todo esse estilo narrativo foi muito revolucionário porque apresentava, de maneira bastante natural, situações tabu como o namoro a três, adoção, um bebê de mãe solteira e filho de extraterrestre, tudo isso feito para um público jovem e passando em horário nobre. Foi um seriado que marcou uma geração de crianças, adolescentes e jovens porque tudo era muito feliz, colorido, eletrizante, musical e cheio de amor. É uma série que acabou há mais de 30 anos, mas sua linguagem continua super atual.

Armação Ilimitada – Desenho Animado

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