aRtemporal #6 Azassu, primeiro álbum do músico Mang, extrai da guitarra timbres, riffs e experiências

Música #dubrasil

em 19 de novembro de 2021

As músicas “Cat Eyes” e “Wake Up”, lançadas em fevereiro deste ano, e os singles “Riot” e “Tipowilco” foram remasterizadas e se juntaram a mais três faixas, para compor o primeiro álbum do músico multi-instrumentista, Mang.

Mang – “Riot”

Lançado em 28 de outubro de 2021, “Azassu” vem com 7 faixas produzidas em parceria com o Índio Rock Selo e apresenta um trabalho minucioso de mixagem, fazendo todos os instrumentos “jogarem para o time”, tendo a guitarra como estrela. 

As músicas, apesar de soarem como se uma banda tocasse, foram compostas e tocadas pelo Mang. Sim! Ele tocou todos os instrumentos, passando pela concepção, timbragem e arranjos. 

As faixas têm coerência entre si e fazem o álbum mostrar muito da pegada e criatividade do artista. Parecem fazer parte da trilha de uma boa história. 

Mang – “Cat Eyes”

Mang nasceu em Londrina-PR, cidade onde o skate e o rock noise sempre estiveram presentes. Hoje, com 43 anos, morador de São Paulo, vivencia a música há mais de 30 anos. Guitarrista desde os 10, montou sua primeira banda aos 14, em que, além de compor, juntava sua galera para fazer muito Sonic Youth, Pavement, Sebadoh, Guided by Voices e sons alternativos dos anos 90. 

Essas influências ressoam em “Azassu”. Nele, Mang explora sonoridades em diferentes afinações na guitarra e coloca seu vasto conhecimento em acordes, pedais de efeitos e técnicas para criar riffs marcantes que dão cores para a psicodelia dos novos tempos. 

Construiu seu repertório no universo musical tocando com importantes bandas do cenário independente, como Mudcracks e Grenade, e vivenciando bem de perto os bastidores, trabalhando como técnico de som /  Sound  Engineer de renomados músicos. 

Arte: Alexandre Malkiolke

A arte da capa do álbum é de Alexandre Malkiolke, que tem um incrível trabalho artístico. 

“Funciona como uma parceria onde um artista ajuda o outro, em diferentes ambientes, pois onde o disco chegar, a arte do Alexandre vai junto, e vice versa”, diz Mang. 

Em “Azassu”, a arte de capa conseguiu interpretar a pegada do trabalho e complementar nossa viagem ao ouvi-lo. Saca a conexão da capa com “Untill Now”, música escolhida para abrir o álbum, coloca as guitarras para trabalhar logo de cara! 

Mang – “Untill Now”

Acompanhando as novas tecnologias, Mang também lançou o álbum em NFT (Non-fungible tokens) e as músicas poderão ser adquiridas por U$0,25 dólar cada (música e arte da capa). 

Acesse: https://rarible.com/token/0xb66a603f4cfe17e3d27b87a8bfcad319856518b8:34472930880078319570846737892475065135634219056459770518810352056277407891461

Segundo o artista, “o NFT serve para pessoas que gostam do trabalho ou simplesmente para pessoas que gostariam de ajudar financeiramente e fazer parte dessa nova fase da música digital, pagando pouco e contribuindo muito com os artistas”. 

Ouça também no Spotify! 

Alexandre Marques Você viveu sua infância e adolescência em Londrina. Como era a cena musical da cidade nesta época, qual rolê vocês gostavam de dar e quais influências você trouxe daquela época para seu novo álbum?

Mang Eu cresci observando e participando sem entender nada, apenas curtindo todo o rolê. Lembro de ir em shows de rock com bandas da cidade quando eu nem tinha banda ainda, eu devia ter uns 11 anos e, conseguia ir porque uns amigos do skate, que eram mais velhos, me levavam junto.  

No bairro onde cresci, havia uma cultura forte de bandas Rockabilly  e Psicobilly, e muitas festas com bandas e skate envolvido. 

O skate juntou muita gente do rock em Londrina, gente que nem era músico, assim como eu também não era, mas desses rolês, surgiram várias bandas. 

O som que faço hoje, com certeza tem influência dessa época, de bares fedidos, muita fumaça e barulho dentro dos lugares, banheiros zuados,  bebedeira,  skate e rock!!! 

Alexandre Marques Os anos 90 foram marcados pela força da MTV. Assim, muitas bandas começaram a despontar e a influenciar bandas independentes no país todo. Hoje, apesar da produção independente sempre existir, o cenário mudou muito. Como você vê a cena independente no Brasil, com tanta música rolando, em tempos de internet? 

Mang A facilidade que a internet e a tecnologia proporcionam para os artistas é incrível: Youtube, Streamings, etc.  

Me lembro de escutar minhas fitas K7, sabendo exatamente até que compasso a música iria parar pois era hora de escutar o lado B. 

Apareceram muitas bandas e músicas novas e hoje, se um disco já não agrada nas primeiras faixas, muitas pessoas já nem escutam o resto.  

Mas acho que o artista não deve se preocupar com isso e focar apenas na arte. Música não é competição. A internet facilita o registro, o acesso e a divulgação da música e, antes tudo isso só fazia parte de bandas que estavam no “topo da pirâmide”, ou produtores e tal. Acho muito legal toda essa tecnologia disponível pra todos. 

Alexandre Marques Além de músico, você também trabalha como engenheiro de som acompanhando outros artistas e é excelente na mixagem. Na música, considero que todo conhecimento, mesmo os de “bastidores”, ajuda a tornar um trabalho excelente. De que forma esses seus saberes todos, que passam pela concepção, gravação, mix etc, contribuíram para o resultado do som? 

Mang Tenho certeza que estar dentro desse mundo da música me ensinou e me ensina muita coisa, como profissionalismo e respeito com outros artistas e pessoas em geral. Mas eu acho que o que mais aprendi disso tudo foi a paixão pela música, que cada músico tem, e me fez refletir sobre a construção dos meus trabalhos, em que faço com que todo esse processo de tocar, gravar, mixar e lançar, seja livre para experimentar e para apenas me expressar artisticamente através da música. 

Alexandre Marques é compositor, produtor musical, fotógrafo, videomaker…nas horas vagas cervejeiro, padeiro caseiro e autor da coluna aRtemporal. Formado em marketing, viu no trabalho de assessoria de comunicação uma oportunidade de unir conhecimentos e estar próximo dos artistas, um universo que adora, levando suas obras para mais pessoas.

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