Carolina Maria de Jesus

Cultura #dubrasil

em 16 de dezembro de 2019

Mulher, negra, favelada, mãe solteira e catadora de papel. Uma das mais importantes escritoras negras brasileiras, completaria 105 anos em março de 2019. Traduzida em 16 idiomas e com obras lançadas em mais de 40 países, é uma escritora esquecida em terra brasilis. Pesquisadores e estudiosos têm nos brindado com trabalhos, documentários e biografias contando a história dessa mulher que ainda serve de inspiração para milhares de pessoas.

Paixão pelas palavras

Nasceu em Sacramento, interior de Minas Gerais. Filha de doméstica, Carolina frequentou a escola por um pouco mais de dois anos, tempo suficiente para despertar a paixão pelas palavras. Aos 33 anos Carolina de Jesus, grávida e desempregada, chega a São Paulo e vai trabalhar como empregada doméstica na casa de um médico. Aos finais de semana, ao invés de sair, ela passa o tempo mergulhada nos livros da biblioteca particular do dr Euryclides de Jesus Zerbini.

Carolina Maria de Jesus

Morou na favela do Canindé, zona norte de São Paulo, e registrava o cotidiano da comunidade em cadernos achados no lixo. São mais de 5000 páginas de acervo. No final dos anos 50, o jornalista Audálio Dantas foi fazer uma reportagem na favela e acabou conhecendo Carolina. Teve acesso ao seu diário e lançou o livro “Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada”, talvez a primeira obra falando da vida na favela pela ótica de uma moradora.

Carolina Maria de Jesus

Após o lançamento do livro, sucesso de vendas, Carolina Maria de Jesus conseguiu uma vida melhor para ela e seus três filhos. Foram morar em Santana, bairro classe média de São Paulo, mas devido sua origem humilde, Carolina e os filhos não foram bem tratados pela vizinhança.

O preconceito continuou existindo mesmo depois de se tornar uma escritora reconhecida e premiada. Morreu em 1977 aos 62 anos.

A biblioteca do museu Afro-Brasil, fundado nos anos 2000 dentro do parque do Ibirapuera, leva o nome de “Carolina Maria de Jesus”.

Em 2016 a vida da escritora virou história em quadrinhos “Carolina”, uma parceria entre a professora de língua portuguesa Sirlene Barbosa e o ilustrador João Pinheiro.

Em mais uma homenagem à autora, “Segunda Chamada”, minissérie da rede Globo produzida em 2019, trata do cotidiano de alunos da instituição com nome fictício de Escola Estadual Carolina Maria de Jesus na periferia de São Paulo.

Obras:

  • (1960) Quarto de Despejo
  • (1961) Casa de Alvenaria
  • (1963) Pedaços de Fome
  • (1963) Provérbios

Obras póstumas:

  • (1977) Diário de Bitita
  • (1982) Um Brasil para Brasileiros
  • (1996) Meu Estranho Diário
  • (1996) Antologia Pessoal
  • (2014) Onde Estaes Felicidade
  • (2018) Meu Sonho é Escrever: contos inéditos e outros escritos

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