Curta: Boca de loba

Cinema #dubrasil

em 5 de novembro de 2020

Bárbara Cabeça é formada em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Ceará e foi roteirista participante do Laboratório de Criação do Porto Iracema das Artes em 2019. Dirigiu e montou os curtas-metragens Aquenda Nela (2014) e Bruxaristas Ceará (2017), dirigiu o curta-metragem Boca de Loba (2018) que circulou em diversas mostras e festivais pelo Brasil, como o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro. Trabalhou na produção e assistência de direção do longa metragem Cantos dos Ossos de Jorge Polo e Petrus de Bairros, vencedor da Mostra Aurora do Festival de Cinema de Tiradentes em 2020. Editou e montou os curtas-metragens inéditos Noturno de Irene Bandeira e Nebulosa em que assina a direção juntamente com Noá Bonoba. Como roteirista, Bárbara tem diversos projetos de animação voltados ao público infanto-juvenil, entre eles o longa metragem Esconderijo dos Gigantes que está em pré-produção e conta com a direção de Bárbara e Petrus de Bairros.

 Curta: Boca de loba, 2018

Sinopse

Pressões assediadoras das ruas. E um grupo de mulheres procura pela invocação de um espírito selvagem urbano. 

Ficha Técnica

Direção – Bárbara Cabeça 

Assistência de Direção – Camilla Osório
Produtora: Lambeolhos produções 
Roteiro: Bárbara Cabeça, Irene Bandeira, Paulo Victor Soares e Petrus de Bairros 
Produção Executiva – Renata Cavalcante 
Produção – Polly Di 
Assistente de Produção – Fernanda Brasileiro
Direção de Fotografia – Irene Bandeira 
Assistente de Fotografia – Luciana Rodrigues 
Som Direto – Elena Meirelles e Petrus de Bairros 
Desenho Sonoro e Mixagem – Vivi Rocha 
Trilha Musical – Heloise Sá 
Figurinos – Brechó Arara e Mallkon Araújo 
Cenografia – Cícera Maricotinha e Ton Martins 
Cabelos – Maria Máfrica e Salão Experimental 
Maquiagem – Belchior Araújo 
Costureira – Edir Racional 
Montagem – Petrus de Bairros 
Correção de Cor – Leandro Felgueiras 
Pixilation – Clayton Bochecha, Josimário Façanha e Telmo Carvalho 
Créditos e Desing Gráfico – Helena Lessa 
Fotografia Still – Jorge Polo 
Gaffer – Pepe Pedra e Poco Teúba 
Comida – Danilo Moreira 
Elenco: Bianca Gois, Dhiovana Barroso Dhiôw, Fernanda Brasileiro, Heloíse Sá, Mariana Nascimento, Tatiana Valente e Tayana Tavares 

LABO O filme “Boca de loba” é todo performático. Essa performance seria uma forma de fazer com que cada uma de nós mulheres venha acessar nosso “lugar oculto”?

Bárbara O filme surgiu da vontade de falar sobre o assédio que as mulheres sofrem diariamente nas ruas. Eu convidei as atrizes por serem mulheres artistas incríveis de Fortaleza que já tratam desse tema em seus trabalhos. Cada uma veio de uma linguagem diferente. A Tatiana Valente e a Tayana Tavares têm diversos projetos no teatro, já a Dhiovanna Barroso é artista visual foda, a Heloise Sá é talentosíssima com música, a Bianca Gois faz investigações nas artes circenses, a Fernanda Brasileiro é uma cineasta maravilhosa e tem a Mariana Nascimento que faz arte com tesouras. Assim, a performance foi proposta como uma forma de expressão das relações e memórias de cada uma, na lida com as violências, e subvertê-las. Cada uma se conectou com forças interiores próprias e buscou nas suas artes mecanismos de afrontamento. Como o assédio surge de questões estruturais, enraizadas e complexas da nossa sociedade, trabalhamos com o espaço público e suas simbologias, para criar o antagonismo e a tensão. 

LABO O livro “Mulheres que correm com lobos”, da escritora Clarissa Pinkola Estés, lançado em 1992, usa o termo selvagem não de forma pejorativa, mas sim, no sentido de viver uma vida livre, natural. Exatamente o que “Boca de loba” retrata: um bando de mulheres livres. Quanto a mais dessa liberdade tu acredita que conquistamos em comparação as mulheres retratadas no livro? 

Bárbara Esse “se tornar selvagem” me interessa muito enquanto um resgate das conexões que perdemos, devido às castrações ocasionadas por alguns processos históricos. Resgatar o contato com o corpo, com a própria intuição, com uma força criativa e uma entrega à coletividade, contra o fim da rivalidade feminina. E, em relação ao tema que tratamos, que é o assédio na rua, nós somos controladas a não ocupar esse espaço, é um espaço violento para mulheres. No processo criativo do filme, usamos muita fantasia e união, enquanto grupo, para descobrir qual seria o poder selvagem de cada personagem até transbordar para a vida real. Eu sinto que aprendi muito sobre me defender e me proteger de certas violências. Isso é uma forma de liberdade, né?   

LABO E aí, o que tu nos diz sobre o mercado cinematográfico para as mulheres diretoras? 

Bárbara Um inferno. Visto o último caso exposto que foi aquele escândalo sobre Gustavo Beck. Tantas mulheres foram violentadas e esse só foi um caso publicizado. No Boca de Loba estávamos falando de assédio, pensamos coletivamente em uma equipe segura para todos. Composta majoritariamente por mulheres. Foi maravilhoso poder ter essa escolha. Alguns editais de fomento às artes aqui do Ceará pensam como inserir mulheres e outros corpos dissidentes usando as políticas públicas, por exemplo, dando pontuações extras para projetos com equipe mais diversificada, com mais mulheres, mais LGBT e pessoas não brancas. Isso é um resultado de luta. Mesmo com notícias horríveis que mostram uma estrutura complexa e violenta, temos que continuar batendo o pé pelas nossas.  

LABO Plural Singular + Cardume

A LABO Plural Singular e a plataforma Cardume que, entre muitas outras coisas, têm em comum a missão de fortalecer a produção cultural no Brasil, estão virtualmente de mãos dadas para toda semana apresentar um curta-metragem nacional e uma nano entrevista com sua / seu respectiv@ diretora / diretor. Assim como dar nome a todas as pessoas envolvidas na produção cinematográfica brazuca, porque nem só de direção e elenco é feito um bom filme. Preparem o estoque de pipoca que informação e diversão são por nossa conta.

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