Curta: Entre Amazonas e Tupis

Cinema #dubrasil

em 11 de setembro de 2020

Sou formada em Comunicação pela UFMG e, desde lá, comecei a estudar sobre o cinema em sua teoria. Na prática, comecei a trabalhar com audiovisual e fui me levando para o lado do documental, que é uma paixão. Adoro filmar e editar o real. Estudei por um mês em Cuba, na EICTV, focando em documentário e, logo depois, veio o “Entre Amazonas e Tupis”, que é o primeiro curta que assinei como diretora e montadora. Trabalhei em alguns outros projetos como a série documental “Fronteiras Fluidas” sobre lideranças indígenas sobre o Brasil, exibida no canal Curta!. Participei do Cinema no Rio São Francisco produzindo e levando cinema para cidades ribeirinhas. Hoje trabalho com comunicação e cinema, na Cinebulosa onde estamos, atualmente, produzindo dois novos curtas, agora de ficção.  

Luiza Garcia 

Curta: Entre Amazonas e Tupis, 2017

Sinopse: 

Através das vozes de diversos clientes, somos inseridos no cotidiano do Nonô, o Rei do Caldo de Mocotó, bar localizado entre a Avenida Amazonas e a Rua Tupis, em Belo Horizonte. Com 55 anos de história, o estabelecimento serve como um ponto de vista a partir do qual olhamos e observamos a capital mineira. Nos diversos encontros e casos que ali se dão, nos tornamos espectadores das vivências do centro da cidade.  

Ficha técnica:

  • Direção e Montagem: Luiza Garcia 
  • Produção: Breno Alvarenga  
  • Som: Bárbara Monteiro 
  • Fotografia: Breno Conde 
  • Assistência: Flávio Gusmão 
  • Still: Bruna Brandão 
  • Mixagem: Flora Guerra

Labo O bar do Nonô traduz a pluralidade que é o Brasil: funciona de segunda a sábado, 24 horas por dia. Como foi viver o dia a dia num lugar que abraça todas as tribos com respeito, mocotó e cerveja? 

Luiza  Foram 10 dias intensos de gravação nos quais a gente variava o horário de chegada para tentar viver cada diferente momento dessas 24 horas. Era interessante observar essa pluralidade. Em certo momento o bar estava super lotado e alguns minutos depois já esvaziava. O som da madrugada era calmo mas com interferências momentâneas de risadas ou uma música qualquer vinda da rua. Já o som da manhã era agitado, do centrão nervoso. E, claro, a pluralidade de pessoas que circula ali. No filme retratamos toda essa pluralidade trazendo personagens bem diferentes uns dos outros. Além dos 10 dias rodando, tivemos o momento de pré-produção para frequentar o bar e, juntando essas experiências, tentamos trazer o que vimos ali, quais papos mais constantes e quais tipos de relação acontecem. E, apesar das diferenças, quando estavam todos juntos, era possível ver uma unidade. Era possível enxergar um bar único. 

Labo Estar no centro da cidade pode nos colocar em situações inusitadas, como por exemplo a cena do filme em que no mesmo momento temos clientes falando sobre mulheres, cervejas etc, e na outra ponta, um bate papo sobre livros e Michel Foucault. O proprietário tem noção da riqueza de diálogos que tem dentro do bar? 

Luiza Os donos do bar, hoje, não estão diretamente no balcão. Eles ficam mais na parte de cima do bar (que é mostrada no filme e que muitos belohorizontinos ficaram felizes de descobrir), ou nas questões administrativas. Apesar disso, sabem bem dos diálogos que se passam lá embaixo. Os donos são ótimos e foram muito abertos quando fizemos a proposta do curta e eles mesmos apontaram a pluralidade de pessoas que ali frequentam. Nos contaram muitos ‘causos’, como é dito aqui em Minas, que já escutaram ou já presenciaram no balcão. A Cremilda, ou Bida, que aparece no filme foi uma personagem indicada por eles. Nos contaram que ela já tinha feito campanha lá dentro do bar quando tentou ser vereadora, e que havia um garçom que a chamava de Dilma. Adoramos a ideia e fomos entrevistá-la. No fim, descobrimos que ela tinha outras histórias pra contar. 

Labo E aí, o que tu nos diz sobre o mercado cinematográfico para as mulheres diretoras? 

Luiza Se compararmos com a pré-história do cinema e agora, o mercado para as mulheres está melhor. Rsrs. Mas está longe de ser o ideal. Existem ainda os setores mais masculinos do set e do processo como um todo. Exitem ainda homens que dão menos credibilidade quando é a mulher que tá na frente do filme ou de alguma equipe. Eles nos cobram a perfeição. Eu trabalho mais com montagem e edição. Outro dia estava em um curso sobre a temática e o professor falou “nossa, legal de ver que tem muita mulher por aqui”. Ou seja, é uma surpresa ver mulheres nessa posição (que, ironicamente, começou sendo feminina). 

Mas, não vamos ver apenas o lado negativo. Em BH, por exemplo, vários editais pontuam melhor os projetos que possuem diretoras mulheres ou equipe plural e isso é um avanço pra diminuir desigualdades.

LABO Plural Singular + Cardume

A LABO Plural Singular e a plataforma Cardume que, entre muitas outras coisas, têm em comum a missão de fortalecer a produção cultural no Brasil, estão virtualmente de mãos dadas para toda semana apresentar um curta-metragem nacional e uma nano entrevista com sua / seu respectiv@ diretora / diretor. Assim podemos conhecer um pouco mais sobre as pessoas que fazem cinema por aqui. Preparem o estoque de pipoca que informação e diversão são por nossa conta.

Você também vai gostar disso 👇