Curta: Existo

Cinema #dubrasil

em 13 de agosto de 2020

Sorocabano de 21 anos, Bruno César possui um longo portfólio em projetos que falam sobre resistência de um grupo de pessoas que não se enquadram dentro da maioria da sociedade.

O desejo de falar sobre esse tema veio da vontade de usar sua arte para fazer uma diferença, expor uma opinião e criticar a violência. Bruno viu no cinema o meio perfeito para discutir questões importantes na sociedade atual.

Existo, 2018

CURTA: Existo, 2018

Sinopse:

Thiago (André Sewaybricker) é um jovem assumidamente homossexual que mora com sua avó Vera (Célia Mariano), no interior de São Paulo. Os dois vivem uma relação de pouco contato uma vez que, dentro de casa, existe a dificuldade por parte de Vera em aceitar a condição sexual do neto. Thiago possui o grande sonho de se montar como drag queen pela primeira vez e conta com a ajuda de seu melhor amigo, Fernando (Rodrigo Braga), para a realização de tal. Fernando introduz Thiago à cultura drag de forma majestosa, levando-o para o que seria sua primeira grande performance para o público LGBT. Em um misto de expectativa e receio, o jovem passa a questionar e enfrentar o preconceito que existe dentro e fora de sua casa, enquanto se expressa no único corpo em que se sente livre: o de Sophia.

Ficha Técnica:

  • Direção: Bruno César
  • Roteiro: Bruno César e Larissa Gomes
  • Produção: Larissa Gomes
  • Direção de Produção: Julia Portella
  • Produção de Elenco: Vinicius Feller
  • Direção de Fotografia: Bruno Barbosa
  • Direção de Arte: Gabriel Mastroberardino
  • Figurino e Maquiagem: Victor Guimarães
  • Som Direto: Bruna Maria
  • Montagem: Leonel Mingnoni
  • Finalização: Kaíque Padilha
  • Elenco: André Sewaybricker, Rodrigo Braga, Célia Mariano, Tati Benites, Bruno Salera, Glauber Queiroz, Matheus Silveira

LABO “Existo” tem Thiago como protagonista de uma realidade (ainda) vivida por milhares de LGBTs: as várias faces da violência. Dentro de casa, na rua e na falta de liberdade para ser quem quiser. Que ações, para além do filme, devem começar a tomar forma para mudarmos essa realidade?

Bruno César Eu acredito muito no diálogo e ele é um dos motivos pelo qual o próprio “Existo” foi feito. Quando pensamos no filme, lá no final de 2017, não conseguíamos nem pensar na gigantesca onda de intolerância que sairia do escuro em 2018 e se mostraria tão cruel. O Existo estreou em novembro de 2018, uma semana após as eleições e, desde então, em cada lugar que o filme passou, trabalhamos muito na conversa. Dialogamos sobre a temática a fim de levar essa discussão sempre à frente e como uma arma de defesa contra toda essa violência que se alastrou pelo país. E foi/está sendo muito interessante ver os diferentes olhares que as pessoas dão ao filme. É algo novo em cada lugar e uma discussão que leva a vários caminhos para o início de uma mudança. O Existo fala muito com a realidade e levar o filme para todos os lugares, debater e conversar sobre, faz com que seja um passo importante para manter esse tópico sempre em discussão.

LABO “Não Recomendado”, autoria de Caio Prado, canção escolhida para a estreia de Sophia nos palcos, parece que foi escrita especialmente para o personagem. O que aconteceu primeiro, o roteiro ou a escolha da música?

Bruno César A história da música do filme é muito interessante. O roteiro veio primeiro. Em toda a construção do personagem trabalhamos para trazer a realidade de milhares de drag queens em tela e pensar na música, que representa tanto na vida do Thiago/Sophia, foi um dos maiores desafios. No começo, optamos e ensaiamos com “Como Nossos Pais”, música na voz de Elis Regina. Estava tudo certo e combinado para a gravação, até que um dia eu estava com o aleatório do Spotify aberto e o começo de “Não Recomendado” tocou. Na hora me deu um alerta na cabeça e eu sabia que aquela música tinha que ser a música que Sophia levaria aos palcos. A performance é formada por duas músicas, “Cuidado” e “Não Recomendado”, ambas na voz de São Yantó. Faltando pouco tempo para gravar, juntamos as duas músicas em uma só e anunciei para o ator (André Sewaybricker) e meu produtor de elenco (Vinicius Feller) que queria mudar a música. Não tivemos tempo para ensaio. Foi a diária de gravação mais exaustiva da minha vida. Ao todo, gravamos entre 14 a 16 takes da performance com a música completa em cada um. Tínhamos o espaço reservado até as 22h e ficamos até 2h da madrugada gravando essa sequência em especifico. Algo que valeu muito a pena pois tanto a música quanto o resultado final combinaram e deram ao Existo seu clímax.

LABO O que tu nos conta do cinema produzido por mulheres no Brasil?

Bruno César Eu vejo o cinema brasileiro como um grande funil. Temos o cinema em modo geral e vai afunilando para: cinema brasileiro que abre suas vertentes mais estreitas ainda, como o cinema LGBTQIA+, e o cinema produzido por mulheres. É muito difícil e é um processo que precisa ser quebrado. Esse não é o meu local de fala, mas é nítida a diferença e falta de oportunidade dentro da área nessa questão. Precisamos falar cada vez mais sobre isso e incentivar, apoiar, patrocinar e garantir que esse cinema seja feito e visto.

LABO Plural Singular + Cardume

A LABO Plural Singular e a plataforma Cardume que, entre muitas outras coisas, têm em comum a missão de fortalecer a produção cultural no Brasil, estão virtualmente de mãos dadas para toda semana apresentar um curta-metragem nacional e uma nano entrevista com sua / seu respectiv@ diretora / diretor. Assim como dar nome a todas as pessoas envolvidas na produção cinematográfica brazuca, porque nem só de direção e elenco é feito um bom filme. Preparem o estoque de pipoca que informação e diversão são por nossa conta.

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