Curta: Nova Redenção

Cinema #dubrasil

em 6 de agosto de 2020

Formado em Comunicação pela UFRJ, Rafael Rodrigues trabalha com audiovisual e direção de arte para publicidade e cinema.

Colaborou em projetos para marcas como TIM, Sony Music, Rock in Rio, Coca-Cola e artistas como Maria Bethânia, Chico Buarque, Gal Costa, Pabllo Vittar, Karol Conka e Os Paralamas do Sucesso. Foi diretor e co-editor do documentário “Nova Redenção”, co-montador do curta documental “Corpo Gay” e assistente de foto no curta experimental “Casa Vermelha”. Atualmente é bolsista no curso de formação em documentário da Academia Internacional de Cinema e pesquisa performance e autorrepresentação no cinema documental contemporâneo.

Rafael Rodrigues
Nova Redenção, 2017

CURTA: Nova Redenção

Sinopse:

Carla volta para o nordeste, Alaide enxerga motivos para sorrir e Meire se encontra na música. Dos prazeres e desafios de viver no sertão, um retrato da vida cotidiana de três mulheres moradoras de uma pequena cidade na Chapada Diamantina, interior da Bahia.

Ficha Técnica:

Roteiro e Direção: Rafael Rodrigues
Produção Executiva: Julia Araújo
Produção: Ezequiel Alves, Julia Araújo, Carla Rodrigues, Rafael Rodrigues
Direção de Fotografia: Carla Villa-Lobos
Montagem: Igor Moreira e Rafael Rodrigues
Correção de Cor: Juliana Muniz
Edição de Som e Mixagem: Alexandre Jardim
Elenco: Carla Rodrigues, Alaide Ferreira da Silva e Meire Souza de Almeida

LABO O que te levou a documentar o cotidiano de Carla, Alaíde e Meire, em Nova Redenção, sertão da Bahia?

Rafael Muito influenciado pela literatura de Eliane Brum, eu sabia que queria fazer um documentário em que o cotidiano fosse eixo e base central da narrativa e onde o tempo não seria um fator crucial para que as transformações acontecessem no filme. Me interessava tentar me conectar com camadas e subjetividades mais vulneráveis dessas mulheres que vivem na cidade. Pois bem, minha mãe, Carla, que é uma das personagens do filme, é uma mulher nordestina que migrou ainda adolescente para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Depois de décadas sobrevivendo como costureira na cidade grande, há alguns anos ela decidiu voltar a viver no nordeste e o filme nasceu desse meu desejo pessoal de documentar sua vida e seus processos nesse novo lugar. A partir desse impulso surgiu a vontade de expandir o número de personagens e encontrar outras mulheres da cidade para trazer para o filme. Foi assim que, através da minha mãe e de Gão (produtor local), conheci Alaíde e Meire, que toparam participar desse encontro e viver essa experiência fílmica com a gente.

LABO Conviver com realidades tão diferentes da tua, enquanto morador de grandes centros urbanos, estudante e diretor de cinema, mudou tua perspectiva de mundo

Rafael Sem dúvidas. O contato com essas mulheres tão incríveis me possibilitou uma série de transformações internas, principalmente em relação aos processos e às potencialidades que existem no exercício de fazer cinema documentário. Para mim foi muito especial e importante perceber o quanto elas confiaram na equipe e se permitiram estar vulneráveis diante da câmera – que é uma situação muita rara em suas vidas. Essa confiança foi construída. E mais do que personagens do filme, hoje são amigas e pessoas com as quais me relaciono e nutro muito carinho. Carrego muito do olhar e da força de Alaíde, Meire, Carla e tantas outras mulheres com quem convivi na cidade.

LABO O que tu nos conta do cinema produzido por mulheres no Brasil?

Rafael Tenho visto uma crescente maravilhosa de mulheres em posições de direção na produção nacional, o que é bastante importante para a construção de novas perspectivas de Brasil, visto que essa ainda é uma indústria radicalmente dominada por homens brancos, heterossexuais, de classe média. Eu acompanho e admiro bastante o trabalho de algumas diretoras que estão produzindo sobretudo cinema documental contemporâneo como: Maíra Bühler (Diz a Ela Que Me Viu Chorar, 2019), Paula Gomes (Jonas e o Circo sem Lona, 2015), Carla Villa-Lobos (MC Jess, 2018), Alice Lanari (América Armada, 2018), Juliana Antunes (Baronesa, 2018), Claudia Priscilla (Bixa Travesty, 2018) e Vita Pereira (Picumã, 2020). Essas são algumas diretoras que vale muito a pena acompanhar.

LABO Plural Singular + Cardume

A LABO Plural Singular e a plataforma Cardume que, entre muitas outras coisas, têm em comum a missão de fortalecer a produção cultural no Brasil, estão virtualmente de mãos dadas para toda semana apresentar um curta-metragem nacional e uma nano entrevista com sua / seu respectiv@ diretora / diretor. Assim como dar nome a todas as pessoas envolvidas na produção cinematográfica brazuca, porque nem só de direção e elenco é feito um bom filme. Preparem o estoque de pipoca que informação e diversão são por nossa conta.

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