Da Lua – transitando por novos caminhos

Música #dubrasil

em 16 de dezembro de 2020

“Lembrar é fácil pra quem tem memória, mas esquecer é difícil para quem tem coração” 

O ano era 1996 e lá pras bandas de Recife, que na época respirava a efervescência cultural causada pelo movimento manguebeat, toda junção da molecada era para fazer um som, instigados por Chico Science e Nação Zumbi e pelo Mundo Livre S/A, bandas que fizeram o Sudeste e o Sul do Brasil olhar pra Pernambuco para além do destino férias / carnaval. Foi nessa época que nasceu a Sheik Tosado, banda que misturava punk, hardcore, rap, frevo e maracatu.  

Da Lua

O percussionista olindense Gustavo Da Lua, além de viver de perto a cena manguebeat, foi um dos fundadores da Sheik Tosado. Com o fim da banda, em 2001, Da Lua entrou para a Nação Zumbi, onde toca até hoje. Paralelo à carreira com a Nação, o músico vem desenvolvendo um trabalho autoral do tipo que a gente dá o play e não consegue parar de escutar. Pelo menos por aqui aconteceu isso com “Radiante Suinga Bruto Amor” (2013) e “Homônimo” (2019), álbuns que, graças ao contato do Alexandre Marques, assessor de imprensa do selo Índio Rock, passaram a fazer parte dos nossos loopings musicais. 

Vem pra ficar

E foi no dia 4 de dezembro, dia de Iansã, que Da Lua trouxe ao mundo seu mais novo single, “Vem pra ficar”. Uma canção que traz influências da música afro-cubana e de sua cidade natal, Olinda, misturando estilos com movimentos musicais influenciados pela santeria. Tudo harmonizado com o sotaque pernambucano e letra que abarca contos e lendas místicas, encantos, encontros e desencontros, combinando fantasia e realismo.  

Assim como nos dois primeiros álbuns, Gustavo Da Lua segue muito bem acompanhado em “Vem pra ficar” produzido por Davi Índio, no estúdio Casa Azul, em São Paulo e mixado e masterizado por Ricardo Prado no Canto da Coruja, Piracaia, o single ainda contou com a participação de Juliano Hodapp (Planta e Raíz) na percussão, Natan Oliveira no trompete e trombone, Sandro Ramos no violão e Emílio Mizão na guitarra. A arte da capa (belíssima), é da artista plástica Carolina Botura. 

Bote fé que o trabalho de Gustavo Da Lua veio pra ficar e nós, da LABO Plural Singular, além de fazer a nano entrevista com o músico, desde já estamos ligadíssimos nos próximos passos autorais do músico. 

LABO Da Lua, obrigada pela oportunidade da nano entrevista. Passei o final de semana ouvindo teus dois álbuns (muito bons, por sinal!) anteriores a esse single e percebi que temos um novo caminho sendo percorrido. Essa fase que está começando, será que ‘vem pra ficar’?  

Da Lua Olá! “JA É “ rs … desde cedo eu gostava de compor meus cocos. Minha carreira solo se intensificou entre 2013 e 2014 com o lançamento, do meu primeiro trabalho autoral: Radiante Suinga Bruto Amor. Daí comecei a fazer shows pelo Brasil e não parei mais de compor e lançar meus sons!!! 

LABO Iansã é a orixá conhecida como rainha dos raios, dos ventos e das tempestades. É a força, a garra e a independência feminina. Porque lançar “Vem pra ficar”, no dia 4 de dezembro? 

Da Lua Porque estamos passando por grandes transformações esse ano. A guerreira Iansã representa o movimento, a necessidade de mudança, a luta pelas injustiças e avanços intelectuais. Ela também auxilia no despertar da consciência e no equilíbrio das ações humanas. Estamos precisando muito da ajuda dela e de seus filhos e filhas pro ano que vem. Eparrei Oya! 

LABO Como tu enxerga esse cenário cultural que estamos vivendo, imposto pela pandemia, com os trabalhos sendo feitos somente no formato virtual? 

Da Lua Um pouco estranho pra mim que sou da geração não internet, mas foi tudo muito rápido né? rss. A pandemia veio pra mostrar que o ser humano tem que mudar, então é extremamente necessário que as pessoas continuem tendo acesso à cultura para não surtarem.

Você também vai gostar disso 👇