Deluce

Música #dubrasil

em 15 de setembro de 2020

Deluce é um artista de mão cheia. Acredita que a arte é política. Dono de um estilo próprio, enxerga a moda fora dos padrões comerciais e tenta, através dos figurinos, transmitir o que está sentindo. Começou a compor quando tinha 7 anos, mas foi aos 14, que suas composições ganharam vida própria. Deluce, por ser um artista plural, confessa que hoje em dia os gêneros da música estão mais misturados e atuando em conjunto. Ele gosta de ver isso acontecendo… 

“A vida já vem tarde”

Natural de Gravataí, o cantor e compositor cursou Letras, Jornalismo e Direito, mas foi através da música que trilhou sua carreira.  Passou pelas bandas Valhala, Os Hereges e Nômades; em 2014 gravou o álbum solo “O Mundo de Deluce”, com letras e produção de Rodrigo Pilla (Bidê ou Balde), e participações de Carlinhos Carneiro (Bidê ou Balde) e Leo Henkin (Papas da Língua). No ano de 2015 assumiu os vocais da Cartolas, “banda que não segue tendências, faz um som sem firulas que traz um pop rock envolto de elementos às vezes indie, às vezes dançante”.  Com a Back Doors Band, como o nome sugere, uma banda cover do The Doors, Deluce usa todo seu conhecimento adquirido no curso de teatro para interpretar as canções imortalizadas pela banda californiana. 

Deluce: A vida já vem tarde

Acaba de lançar um single novo chamado “A Vida Já Vem Tarde”. Música que o cantor vê como uma reflexão dos relacionamentos em nossas vidas, “um rabo de pipa pesa, mas mantém a estabilidade do voo da pandorga”. Para ele, os relacionamentos são metaforicamente semelhantes a isto. O single está disponível em todas as plataformas digitais. A história da produção dessa música é curiosa. Deluce e o produtor Filipe Pinheiro, que mora em Londres, tinham um projeto em mente e queriam registrar essa canção em várias línguas. De passagem pelo Brasil, Filipe acabou gravando a canção na casa do cantor apenas com voz e guitarra, e, só depois dessa primeira versão, chamaram os amigos Carlos Malluk e Vini Braun para participarem. 

Perto da finalização, Deluce ouviu pela primeira vez e se impressionou com o resultado, viu que tinha coisa boa ali e poderia completar o time. Chamou Chico Bretanha, produtor executivo da Bretanha Produções, e a gravadora Loop Discos que pilhou e topou lançar com o selo. A artista plástica Mariane Niedhardt assina a arte do single. Tudo pronto para esta nova fase! O vídeo foi editado pelo Luis Veloso, um artista espanhol talentosíssimo, residente em Londres. 

E a vida, hein? A vida já vem tarde! Já estava na hora. Não? Rolou aquela nano entrevista que a gente gosta, e vocês também!

Labo Como o teatro ajuda na performance nos palcos? Acredita ser essencial um artista beber de outras vertentes? 

Deluce O teatro, para mim, é um suporte importantíssimo em relação à performance. Através do teatro, eu consigo me expressar melhor, tenho um melhor posicionamento no palco e estou mais consciente da minha movimentação corporal e de como ela vai ser sentida por quem está na plateia. Porém, não vejo como algo necessariamente essencial para um cantor. É uma questão de escolha e vocação para isso. Chico Buarque, por exemplo, apesar de ser autor de célebres espetáculos, não parece estar muito preocupado com a sua performance de palco. Nos shows a que assisti do Chico, ele parecia estar imerso na música e não se importar muito com a linguagem corporal. Ele nem fala muito, mas o show é espetacular. Então eu vejo o teatro como uma ferramenta a mais à disposição do cantor, mas não algo essencial. 

Labo O artista Deluce tem a Cartolas, tem “o mundo do Deluce” e agora temos uma nova fase, rola um “spoiler” para a galera? 

Deluce A pandemia da Covid-19 parou muita coisa, mas abriu espaço para outras. Durante esse período eu tive a oportunidade de voltar a pensar na carreira solo. Lancei música nova (A Vida Já Vem Tarde) e isso me deu vontade de voltar a criar e a gravar fora da banda também. Não sei se é o início de uma nova fase, mas eu estou com alguns projetos se iniciando, parcerias, e pode ser que pinte coisa nova em breve. Eu não sei ainda como isso vai se configurar, mas estou gostando bastante.  

Labo A explosão do rock gaúcho foi muito forte nos anos 80, hoje as bandas mais novas têm um som mais fluído e misturam gêneros, mas ainda com a pegada rock and roll, enquanto artista como foi acompanhar essa transição? E para o futuro tem ideia do que vem por aí? 

Deluce Para mim foi estranho perceber a restrição de espaços na mídia ocorrida a partir de 2010 aqui no Rio Grande do Sul. Quando a rádio Ipanema FM saiu do ar eu senti que tínhamos perdido um canal muito importante. Eu estou sempre tentando me adaptar a um mercado que está mudando a cada dia. Em relação ao declínio do rock como gênero, eu não sei bem o que dizer. Nós sabemos que estão dizendo que o rock vai morrer desde os anos 60, mas ele acaba sempre se reinventando. Eu vejo com bastante tranquilidade a transição para um mundo mais eclético. O que me preocupa, na verdade é saber que o mainstream brasileiro está praticamente monopolizado por dois ou três gêneros mais populares, e os ditos artistas alternativos não estão conseguindo nem sequer uma pequena fatia disso, nem uma raspa. Aqui do nosso lado, seja rock, seja world music, ou como você queira chamar, temos artistas e bom conteúdo. O problema é que isso não é consumido pelo público brasileiro em geral, o que estrangula o mercado de uma forma muito cruel. Eu gostaria de ver bandas nossas se adaptarem e conseguirem angariar ao menos um pouco do mercado monopolizado fosse rock ou não. O Brasil precisa de educação pública de qualidade pra virar esse jogo. Precisamos introduzir música nas escolas e ensinar as pessoas a apreciar algo diferente. Mais arte, e não apenas entretenimento. 

Nano entrevista por Leonardo Dornelles.

Você também vai gostar disso 👇