Lara Aufranc, a artista multimídia, lança clipe da canção “Viver sem dó”

Música #dubrasil

em 29 de junho de 2021

Lara Aufranc

Atriz, compositora, cantora e artista visual. Foi vocalista da banda paulistana, de rhythm and blues, Lara e os Ultraleves. Lançou “Passagem”, primeiro álbum solo, em 2017. Em 2019 mostrou para o mundo o elogiadíssimo disco “Eu você um nó”. E, em 2020, com direção artística de Romulo Fróes, lançou o EP “Viver sem dó”, uma continuação do trabalho anterior. Um disco cujo lado A é uma celebração à vida e seus prazeres, e o B “exala protesto e resistência feminina”.  Ela é Lara Aufranc.

Lara faz um som urbano, com intervenções sonoras muito bem distribuídas entre letras e melodias, que carregam a cara da geração paulistana criada em meio a muita informação, tecnologia e questionamentos políticos e existenciais. 

“Viver sem dó” 

Lara Aufranc – Viver sem dó

Semana passada estreou no YouTube o clipe de “Viver sem dó”, canção que dá nome ao EP. Em parceria com o músico e agitador cultural Tatá Aeroplano, o vídeo transcreve em imagens a leveza da canção. “A letra da música e essas imagens são a afirmação da vida, sempre ela, que mesmo nos momentos de horror em que vivemos, temos que segurar sua mão.” – diz a diretora Tarsila Araújo. Lara e Tarsila trabalharam de forma remota na construção do clipe, que é cheio de cores e psicodelia 

Lara e os Ultraleves

Falar de Lara Aufranc e não mencionar Lara e os Ultraleves soa um pouco estranho, pois foi em um show da banda, no Sesc Consolação, que ouvi pela primeira vez a voz forte e aveludada de Lara. Isso aconteceu por volta de 2017. O projeto encabeçado pela artista tinha um repertório formado por canções de blues, soul, jazz e brasilidades. O show foi uma viagem sonora. A banda lançou um único álbum de canções autorais, chamado “Em Boa Hora”, disponível nas plataformas de streaming, para então Lara seguir em carreira solo.  

Lara e os Ultraleves – Não tem volta

No início desse 2021, para muitos uma continuação de 2020 (ano que ainda não acabou), conversei com Lara por telefone e marcamos para fazer uma nano entrevista quando o clipe fosse lançado. Segue aqui, um pouco do muito que Lara Aufranc tem pra dizer.  

LABO O vídeo clipe da canção “Viver sem dó” é vivo, colorido, lúdico. Uma celebração à vida. Como foi a construção dessa narrativa em meio ao caos diário com que somos bombardeados desde o início da pandemia? 

Lara Aufranc Fazer esse clipe foi uma estratégia de sobrevivência, ainda que a gente não soubesse disso. Eu e a Tarsila Araújo, diretora do clipe, começamos a falar sobre “Viver Sem Dó” alguns dias antes da pandemia começar. Conforme a gente foi se adaptando a essa nova realidade (se é que isso é possível), fomos retomando as conversas do clipe.  

Levamos mais de 10 meses para realizar esse projeto, pois nosso lema era “devagar e curtindo”. A música precisava de imagens que transmitissem a vida, a beleza e energia do mundo. Ter que redescobrir essa beleza foi fundamental para a gente se apoiar e passar por esse período terrível. 

LABO O lado A do EP “Viver sem dó” tem um clima alegre. O lado B é mais introspectivo. Por que esse contraste? 

Lara Aufranc Eu sempre gostei de reparar nas músicas que eram escolhidas pro lado A e nas que iam pro lado B. Na época que o disco era o único veículo de consumo de música, as coisas eram pensadas dessa forma: a primeira música de cada lado era os destaques, sendo que o lado A era sempre mais acessível, mais pop.  

Esse é o meu primeiro disco de vinil, e eu quis fazer uma homenagem à cultura do disco. Eu cresci na época do walkman e discman, que já mudaram bastante a forma de se ouvir música. Mas o jeito como a gente consome música hoje em dia é completamente diferente de todas as épocas anteriores.   

LABO Fazer arte independente num Brasil que está “anticultura” é uma batalha diária. Nós, da LABO Plural Singular, estamos nessa luta desde nosso nascimento. Como você vê esse agora e quais suas perspectivas para o futuro?  

Lara Aufranc Muito difícil falar de futuro nesse momento. Eu nunca imaginei que Bolsonaro poderia virar presidente. Menos ainda que teríamos que enfrentar uma pandemia com ele no governo. Cultura nunca foi prioridade no Brasil, e agora é considerada uma ameaça. Dia desses um hater me disse o seguinte: “vocês artistas são perigosos”. Infelizmente ele não é o único a pensar dessa forma, é um sintoma de algo muito maior.    

Eu me preocupo em sobreviver, cuidar do corpo e da mente para conseguir resistir. É muito tentador sucumbir à desesperança, mas o amor existe e resiste enquanto a gente tiver forças pra lutar. Pode parecer utópico, mas não estamos sozinhos. A nossa maior força está na união. 

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