Maria Baderna

Cultura #dubrasil

em 6 de abril de 2020

O termo ‘baderna’, bastante usado hoje em dia, é um substantivo feminino sem tradução para nenhuma outra língua, que significa bagunça, confusão, desordem, noitada e boemia.

De onde vem a Baderna?

Porém, em algum momento vocês já pararam para pensar na origem desse verbete? Pois bem, em 1828, na cidade de Castel San Giovani, província de Piacenza, norte da Itália, nasceu Marietta Baderna Giannini, ou Maria Baderna. Filha de Antônio Baderna, médico e músico nas horas vagas. A menina Baderna deu sinais de aptidão para arte ainda criança, especialmente a dança. Aos 21 anos foi destaque na companhia de dança do teatro Scala, em Milão.

Marietta Baderna

Em 1849, devido ao momento político pelo qual a Itália passava, a família Baderna decidiu exilar-se no Brasil. Com uma série de apresentações no teatro São Pedro de Alcântara, hoje Teatro João Caetano, o mais antigo da cidade do Rio de Janeiro, a bailarina Maria Baderna conquistou uma legião de fãs. Suas performances efusivas e inovadoras para a época, misturavam o ballet clássico e os ritmos africanos como o lundu, a cachucha e a umbigada. Some-se a isso uma postura revolucionária para a época, pois, mesmo sendo mulher, Baderna adorava festas de rua, bebida, sexo e tinha um posicionamento político que questionava os padrões impostos pelo império de Dom Pedro II. Esse furacão fez com que, logo, Maria Baderna deixasse de ser uma artista ‘de elite’ e passasse a ser idolatrada pela classe operária, desagradando a alta sociedade.

Seus seguidores denominavam-se “baderneiros” e, antes de cada entrada sua no palco, batiam os pés no tablado dos teatros e gritavam: “Baderna!”, em homenagem à bailarina. Com o aumento do sucesso entre a classe popular, Maria Baderna foi perdendo espaço no teatro de elite, banida de peças e apresentações, o que causou indignação à sua legião de fãs que a viam como uma expressão de liberdade e brasilidade.

Maria Baderna, uma mulher à frente de seu tempo, fez história no Brasil ao colocar frente a frente a cultura ‘de elite’ e a cultura ‘popular’, ao levar para um mesmo espaço o ‘patrão’ e o ‘operário’ e, principalmente, ao deixar claro sua preferência enquanto artista, pelo popular. Faleceu em 1892, na cidade do Rio de Janeiro, 43 anos depois de chegar pra mostrar como se faz uma boa baderna.

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