Maria Firmina Dos Reis

Cultura #dubrasil

em 11 de maio de 2020

Maria Firmina dos Reis foi educadora, poetisa e escritora.  Nasceu em 11 de março de 1822, em São Luís, no Maranhão.

Maria Firmina dos Reis, “uma maranhense”

Filha de pai negro, que nunca a reconheceu, e mãe branca, foi criada por uma tia materna cujas condições financeiras proporcionaram acesso à escola. Aos 25 anos, Maria Firmina é aprovada em um concurso público no município de Guimarães, Maranhão, tornando-se a primeira professora concursada do estado.

Apesar de todas as adversidades, Firmina não só consolidou uma carreira de educadora, como também passou a escrever contos, crônicas, poesias e ficção, nos jornais locais. Em 1859 outro feito, lança o primeiro romance brasileiro escrito por uma negra: ‘Úrsula’.

Na obra de ficção a autora, que assina a obra com o pseudônimo “uma maranhense”, narra a escravidão sob o ponto de vista dos negros: “Meteram-me a mim e a mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no estreito e infecto porão de um navio. Trinta dias de cruéis tormentos e de falta absoluta de tudo quanto é mais necessário à vida passamos nessa sepultura até que abordamos as praias brasileiras. Para caber a mercadoria humana no porão, fomos amarrados em pé e, para que não houvesse receio de revolta, acorrentados como animais ferozes das nossas matas, que se levam para recreio dos potentados da Europa”. O livro causou um certo alvoroço à época, pois trouxe a perspectiva de que ‘escravos’ eram pessoas e não mercadoria. Porém, logo caiu no esquecimento, sendo redescoberto apenas em 1960.

Na condição de mulher negra, Maria Firmina dos Reis quebrou vários paradigmas para a época, destacando-se como educadora, como fundadora da primeira escola mista do Maranhão, como mulher abolicionista e escritora. Faleceu em 1917 aos 95 anos, pobre, cega e esquecida pela história de um país que insiste em negar suas origens.

Outros títulos publicados pela escritora: o romance indianista ‘Gupeva’, de 1861; o livro de poesias ‘Cantos à Beira-Mar’; o conto ‘A Escrava’, em 1971; o ‘Hino da Libertação dos Escravos’ em 1888 e outros escritos que, infelizmente, seguem perdidos em algum canto da nossa história literária.

Trechos de livros:

O Meu Desejo

“Canta, poeta, a liberdade, – canta.
Que fora o mundo sem fanal tão grato…
Anjo baixado da celeste altura,
Que espanca as trevas deste mundo ingrato.
Oh! sim, poeta, liberdade, e glória
Toma por timbre, e viverás na história.”
Cantos à Beira Mar – 1871

Ela!

“Ela! minha estrela, viva e bela,
Que ameiga meu sofrer, minha aflição;
Que transmuda meu pranto em mago riso.
Que da terra me eleva ao paraíso…
Seu nome!… Oh! meus lábios não dirão!”
Cantos à Beira Mar – 1871

A Uma Amiga

Eu a vi – gentil mimosa,
“Os lábios da cor da rosa,
A voz um hino de amor!
Eu a vi, lânguida, e bela:
E ele a rever-se nela:
Ele colibri – ela flor.”
Cantos à Beira Mar – 1871

Encontramos artes incríveis em homenagem à Maria Firmina dos Reis

Paty Wolff

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Tenho feito retratos de mulheres negras heroínas na luta contra a escravidão no Brasil desde o século XVI. Resolvi homenagear uma delas Maria Firmina dos Reis, inspirando em obras do artista Vicent Van Gogh para participar do concurso da @royaltalens e @vangoghmuseum. • Absorvida em seus pensamentos, Firmina, a primeira escritora negra ao falar da abolição no romance Úrsula de 1859, contempla girassóis que murcham, sem largar de seu cachimbo ganhado de um amigo europeu. ( Quando retrato ou escrevo sobre Maria Firmina, ela aparece assim na minha frente com esse cachimbo). O crânio em uma das mãos a faz pensar nas inúmeras vidas cativas. A mesa: uma página do livro. (Edit: Onde diz 1988, leia -se 1859) ___________ I have been portraying black heroine women in the fight against slavery in Brazil since the 16th century. I decided to pay tribute to one of them Maria Firmina dos Reis, inspired by works by artist Vincent Van Gogh to participate in the @royaltalens and @vangoghmuseum contest. • Absorbed in her thoughts, Firmina, the first black writer to speak of abolition in the 1859 novel Ursula, contemplates sunflowers that wither, without leaving her pipe won by a European friend. (When I picture or write about Maria Firmina, she appears like that in front of me with that pipe). The skull in one hand makes her think of the countless captive lives. The table: a page from the book. . #vangoghmuseumchallenge #mariafirminadosreis #royaltalens #vangoghmuseum #aboliçãodaescravatura

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Waldeilson Paixão

Tainara Santos

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