Meunovopop #1 por Madblush

Música #dubrasil

em 15 de fevereiro de 2021

*Músicas, criações, experiências e pensamentos de artistas livres*

Eu nem sei muito bem por onde começar… Mentira, sei sim. Para chegar aqui hoje e colocar no ar essa primeira coluna, aceitei o convite feito pela Cláudia Ponticelli que conheci através do Dadi, um amigo muito querido que temos em comum. Ele fez a conexão entre MADBLUSH e a LABO Plural Singular e, depois de horas conversando pelo celular, fechamos uma parceria mensal com o nome de MEUNOVOPOP. Sejam bem vindas, bem vindos e bem vindes.

Vamos falar sobre música, processos criativos, trajetória, perrengues e tudo mais. A relação com a música como forma de expressar ideias, contar experiências, mostrar dúvidas e conquistas também. A relação com o corpo, a quebra de padrões, a política, gênero, mercado musical, diversão e, principalmente, liberdade.

Madblush

Aí você pode pensar: “Tá. Mas quem tu é criatura?” Muito prazer, sou MADBLUSH. Já digo de cara que não se escreve separado é tudo junto porque a numerologia assim me guiou. Esse é o meu nome artístico, fiquem à vontade para me chamar assim e também procurar em todas as plataformas digitais. Mais fácil que usar o de batismo, Rodolfo Pugliero de Mello, que eu gosto e acho chic, mas não combinava muito com os meus objetivos no mercado musical.    

Foto: Diego Nardi

Sou cantor, compositor, produtor, dirijo e crio muitos dos meus videoclipes e também sou DJ. Gaúcho de Porto Alegre, tenho 43 anos (coisa boa falar a idade, confesso que tinha essa barreira…), moro há cinco anos com o Diego, meu namorado, e amo ele. Minha relação com a música existe desde sempre, mas eu nunca estudei. Sou autodidata, acho legal dizer isso e tenho um certo orgulho pois sempre tive isso dentro de mim e simplesmente foi tomando conta. Claro que também aprendi observando amigos e sigo aprendendo. Tive uma infância complicada, bem pobre, mas a música estava lá saindo de radinhos de pilha colados nos ouvidos. Não, não era walkman, era radinho mesmo. Mas tudo sempre me levou a isso: das festas de adolescente, onde eu só queria dançar e viver aquele momento até a MTV, que pegava na tv de casa por uma gambiarra gigantesca que eu fazia, ahahahah! Em 1997 com 19 anos comecei a trabalhar na noite e a ligação com a música começou a ficar mais séria. Trabalhava em um bar bem badalado e logo comecei a produzir festas, conheci pessoas e DJs incríveis. Já vivia a música mesmo não tendo noção que aquilo era a principal coisa que me movia. Me tornei DJ e fui Drag Queen de 2000 até 2007. Em 2007 eu cantei pela primeira vez, estava com 29 anos. Mudou tudo. Algo saiu de dentro de mim. De verdade. “Haaa virou uma Drag cantora!” Não. Vou explicar rapidamente. Aquela personagem Drag deixou de existir. Não me sentia mais como uma personagem, era somente eu e a minha expressão artística ou mística, entidade, enfim, simplesmente MADBLUSH. Mas claro que sempre tenho muitas referências dessa maravilhosa arte Drag no meu trabalho.   

Primeira música lançada entre 2007 / 2008. Direção: Robson Rogers

De 2007 até agora lancei três EP’s e um álbum. Fiz muitos shows (mas não tantos como eu gostaria de ter feito), lancei singles, remixes e videoclipes. Venho trilhando uma carreira com verdade, com criatividade, poucos apoios financeiros, mas com perspectivas incríveis e possíveis pois tá tudo no caminho certo. Sei que trago algo a mais na construção do meu NOVO POP e tenho bastante coisas a dizer, mostrar, trocar e pensar com vocês. Minha música é letra, voz, pensamento, crítica, contestação, superação, alegria, beats, mistura de estilos sem medo de criar. Por isso convido todas, todes, todos para conhecer meu trabalho e acompanhar essa nova jornada também aqui na LABO Plural Singular com a coluna MEUNOVOPOP.  

Direção Electromagneti.co

Pra fechar essa primeira coluna, onde me apresento a vocês de uma maneira muito resumida, deixo o terceiro videoclipe que produzi e dirigi em 2020 para o single “Então Pare!” lançado em plena pandemia, onde me superei mais uma vez. A música fala sobre a necessidade que eu tinha de parar e largar coisas que não faziam mais sentido na minha vida. Fala da experiência com a parada obrigatória em função da pandemia de Covid-19 que, por um lado positivo, me reconectou com a arte e com a música, de uma maneira mais ampla e consistente. Fala da nossa relação com o tempo. Em um videoclipe onde visito mundos, danço, faço rituais e mostro um pouco da imaginação que toma conta mesmo quando estou parado… 

MADBLUSH canta, compõe, faz clipe, é DJ, diverte geral, contesta, transforma, cutuca pra pensar e, a partir de agora, é colunista da LABO Plural Singular.

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