Mulheres que correm com os lobos-guará por Paty Wolff

Destaques #dubrasil

em 29 de julho de 2020

Quando a arte está no DNA da pessoa, ela, a pessoa, pode trilhar o caminho que for, mas uma coisa é inevitável, em algum momento a artista vai nascer. A menina Patrícia Wolff Sampaio, natural de Cacoal, Rondônia, desde pequena tinha verdadeira paixão pelas caixas de lápis com 24, 36 e 48 cores. A cada ida ao supermercado com a mãe, corria para seção de cadernos de desenhos e lápis de cor e pedia para comprar. “Lembro de usar materiais como uma tábua de madeira e fazer um desenho com cola colorida. Desenhei o Corcovado, o Pão de Açúcar e o bondinho. Na minha infância essas eram umas das paisagens que mais se falavam e se viam na TV aberta”, conta.

De Cuiabá para o mundo

O sobrenome Wolff (som de V) por parte de mãe, é uma homenagem ao tataravô, provavelmente um judeu-alemão, que veio da Alemanha fugido da guerra. Paty, é porque a artista gosta de ser chamada pelo apelido de casa, “dá uma sensação de intimidade”.

Paty Wolff

Paty Wolff, entendeu que queria viver de arte quando estava terminando o mestrado em geografia, lá por 2015, e percebeu que não queria trabalhar em escritórios elaborando mapas ou dentro de salas de aula com o tema ‘geografia’. Ela queria fazer o que lhe desse prazer, o que permitisse ela ser quem ela é. As aulas e as orientações coletivas, “verdadeiras sessões de terapia e amizade”, com a professora Sinthia Batista foram fundamentais para largar tudo e focar na carreira de artista. Como bolsista, precisava concluir o curso ou devolver o valor recebido pela pesquisa, o que não era uma opção. Seu esposo Hermut, foi fundamental nesse período de transição para ter força e determinação para concluir o curso. Lembrou da época que tinha 7 anos, entendeu que podia desenhar, pintar, fazer esculturas e viver de arte, mesmo sabendo de todas as dificuldades que enfrentaria, mas que de certa forma estava acostumada.

Decisão tomada e mestrado defendido, hora de começar olhar para frente. Cursou teatro e subiu ao palco como atriz em duas peças. Apaixonada por filmes clássicos e atuais, em preto e branco, faroeste, drama, históricos… “Não costumo ouvir música para criar, talvez por isso não tenha tanta intimidade com a diversidade de cantores mais alternativos. Mas, ouço bastante Zé Ramalho, Lenine, Djavan, Alceu Valença, Cidade Negra, Ira….canto Nando Reis para Léo dormir…”. Fez cursos de arte, atelier de desenho, pintura, escultura e modelagem em argila. Tudo para aperfeiçoar o que fazia desde criança e estar inserida no meio artístico. Junto com as primeiras obras vieram exposições coletivas, vernissages, oficinas e a aproximação com artistas já consagrados. Obras expostas em Cuiabá, São Paulo e Paris. Foi tudo muito rápido. O plano agora é ter seus trabalhos absorvidos por galerias e colecionadores. Enquanto isso não acontece, a artista vai produzindo e aperfeiçoando o que lhe deixa viva: a arte!

Foi criando um conteúdo sobre a escritora Maria Firmina dos Reis que conhecemos Paty Wolff. Primeiro trocamos várias ideias por telefone e agora a LABO Plural Singular traz uma nano entrevista para vocês, leitores e leitoras, conhecerem essa artista super talentosa.

Labo Paty Wolff por Patrícia Wolff Sampaio

Paty Artista que acredita que a arte é um caminho para emancipação social e econômica. Acredita, também, que a arte e o fazer artístico precisam ser mais democráticos para acesso nas periferias. Através da arte expressa o anseio de um mundo melhor e procura provocar os demais a essa reflexão. Pela arte diz o que pensa, o que espera e o que fará pelo mundo.

Labo Como funciona o mercado das artes plásticas em Cuiabá? Há alguma dinâmica especial entre as mulheres artistas?

Paty Apreciadores e colecionadores visitam os ateliers, procuram artes nas exposições e galerias, por isso, sem elas (exposições) neste momento de pandemia, está bem difícil. Mas, como a internet é um caminho, temos nos reinventado e aprendido a manejar as mídias sociais, que tem sido vitrine e o principal meio de chegar até as pessoas que querem apreciar, colecionar, presentear e/ou mesmo decorar com a nossa obra neste momento. Grupos ali e aqui de artistas e artesãs mulheres se reúnem de vez em quando para promover feiras, exposições e mostras que as tragam como protagonistas. No momento, estou colaboradora no Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (IMUNE MT) e tenho coordenado a gestação coletiva do Centro Cultural Casa das Pretas, protagonizado por mulheres negras, e que funcionará neste primeiro momento como espaço virtual de exposições, cursos, oficinas, palestras, encontros, e que, futuramente, será um espaço físico para estas ações artísticas e culturais.

Labo Estamos vivendo um período de mudanças. Tem algum projeto de que estejas participando no momento?

Paty As artes têm sido acalento nesta pandemia, em todas as suas formas. E atribuo um papel social, desde que me entendi por artista. Desde 2017, até antes, em parceria com a artista plástica Gilda Portella, temos feito oficinas, exposições e ações socioculturais nos bairros periféricos da cidade, com o objetivo de que crianças e jovens se apropriem do fazer e criar artístico. Nas ações, levamos outros parceiros com cursos de capacitação e profissionalização para mulheres em situação de violência doméstica e que não saem de casa por não terem renda. Porém, com a minha gestação e agora neste momento de pandemia e isolamento social, não pudemos retomar o projeto, então tenho participado de campanhas virtuais de arrecadação. Uma delas é o #socialvirus, um movimento internacional de artistas, que fazem obras e vendem para ajudar famílias em situação de vulnerabilidade social. Neste sentido, tenho produzido obras originais pintadas em postais de pequeno formato, cujo valor integral das vendas será revertido para ajudar famílias necessitadas.

Paty Wolff é #dubrasil.

Título: Mulheres que correm com os lobos-guará

  • Ano: 2020
  • Técnica: acrílica sobre papel hahnemuhle
  • Medida: 50 x 65 cm
  • Valor: R$950,00

LABO Plural Singular apresenta Paty Wolff, artista de coração cuiabano, mãe do Leo e autora do postalão “Mulheres que correm com os lobos-guará”, das artes colecionáveis da LABO. São 200 cópias, assinadas e numeradas, que estão à venda no formato (carinhosamente chamado por nós) “postalão”, como o nome indica, um postal grandão <3. Para quem tem sede de exclusividade, a arte original também está à venda. Gostou? Tá a fim? Fale conosco: mande uma mensagem no Facebook.

  • Postalão Mulheres que correm com os lobos-guará
  • Papel reciclato 240g
  • Medida: 15 x 20 cm
  • Valor: R$60,00

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