Narcisa Amália de Campos

Cultura #dubrasil

em 16 de março de 2020

Primeira jornalista profissional no Brasil, poeta, professora, abolicionista, defensora dos direitos das mulheres e dos oprimidos, Narcisa Amália de Campos nasceu em 1852 na cidade de São João da Barra, Rio de Janeiro.

Narcisa Amália de Campos, a escritora precursora da defesa dos direitos das mulheres que você nunca ouviu falar.

O contato com a cultura começou cedo: seu pai, o poeta e jornalista Jácome de Campos e sua mãe, a professora Narcisa Inácia de Campos, estavam sempre às voltas com livros, leituras e escritos. Narcisa de Campos começou a ler aos 4 anos, estudou latim, francês e música. Sua carreira tem início com traduções de contos e ensaios de escritoras e escritores franceses. Foi seu pai quem a ajudou a publicar seus primeiros poemas.

Narcisa Amália aos 20 anos. Foto publicada na primeira edição de Nebulosas(1872).

Num mundo predominantemente masculino, Narcisa de Campos foi uma mulher vanguardista, usou da poesia para criticar a sociedade escravagista; defendeu os direitos das mulheres; casou-se e separou-se duas vezes; fazia saraus em sua casa (Raimundo Correia, Luís Murat, Alfredo Sodré e o Imperador Dom Pedro II eram alguns dos participantes); dizia que a imprensa tinha o dever de informar e incentivar o pensamento crítico da sociedade. Não teve medo de falar o que acreditava. E isso incomodou muita gente. Foi por causa de todo esse barulho que em 1889 mudou-se para São Cristóvão, no Rio de Janeiro e começou a lecionar em uma escola pública. Nessa mesma época fundou um suplemento quinzenal para o jornal ‘Tymburita’ chamado “Gazetinha” com o subtítulo “folha dedicada ao belo sexo”.

Na publicação de seu primeiro e único livro, intitulado “Nebulosas”, Narcisa tinha 20 anos. São 44 poemas com temas que abordam desde questões sociais e políticas, a saudade da infância, as dores de amor, a exaltação à natureza e, claro, aos direitos das mulheres. O livro lançado em 1872 pela prestigiada editora Garnier e reeditado em 2017, foi elogiado por Machado de Assis e Dom Pedro II, porém, nunca entrou nas listas de leituras obrigatórias nas escolas, faculdades e afins.

Narcisa de Campos ganhou 2 prêmios com essa obra: “Lira de Ouro” em 1873 e, em 1874, recebeu uma pena de ouro da Mocidade Acadêmica do Rio de Janeiro.

Narcisa Amália aos 50 anos de idade, por M. J. Garnier.

“O Africano e o poeta”

“(…)
— Meu Deus! Ao precito
Sem crenças na vida,
Sem pátria querida,
Só resta tombar!
Mas… quem uma prece
Na campa do escravo
Que outrora foi bravo
Triste há de rezar?!…
— Quem há-de?… o poeta
Que a lousa obscura,
Com lágrima pura
Vai sempre orvalhar!?”
“Invocação”
“Quando intento librar-me no espaço
as rajadas em tétrico abraço
Me arremessam a frase – mulher…”

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