Orquestra Raíz – o coletivo que celebra a pluralidade de sons e ritmos

Música #dubrasil

em 31 de maio de 2021

Idealizado pelo norte-americano Alex Tea e o cearense Klaus Sena, o coletivo de artistas Orquestra Raíz celebra a amizade e a pluralidade de sons e ritmos

Do encontro inusitado entre um russo, radicado nos Estados Unidos e apaixonado pela cultura brasileira e um cearense, nasceu um dos projetos musicais mais deliciosos dos últimos tempos: a Orquestra Raíz. Uma fusão de estilos e tempos, de instrumentos acústicos e eletrônicos, além do diálogo entre sentimento, ritmo e melodia.

Alex Tea, o russo, transforma sua devoção pela música brasileira num cortejar que resulta em preciosas delicadezas. O Brasil profundo do baião, do carimbó, do samba, da macumba e da capoeira dançam de mãos dadas com a bagagem roots que o gringo cultiva há muito tempo, dando origem à orquestra que nasce no Brasil, para conversar com o mundo. Ao lado de Alex, na direção musical, Klaus Sena traz ao projeto referências da música brasileira contemporânea e um time de peso de artistas nacionais. 

Tudo começou quando Alex decidiu fazer um intercâmbio no Brasil, para prática da capoeira e também conhecer melhor a cultura brazuca. Entre as várias idas e vindas, Alex conheceu Ana Carol Azeredo, atual produtora executiva do projeto, que o apresentou ao músico e produtor musical Klaus Sena e a muitos outros artistas. Essa aculturação tem gerado parcerias há mais de 20 anos, onde cada um imprime sua essência, “sotaques musicais” e estilos próprios.

Em 2015 lançaram As Américas, primeiro álbum coletivo, com participação de 35 músicos e muito bem recebido pela crítica especializada. Passados seis anos desse primeiro disco, e em meio a pandemia do Corona Vírus, a Orquestra Raíz nos brinda com Íris. Lançado em abril de 2021, o novo EP passeia pela música popular e regional do Brasil, o roots reggae, old-world, soul e jazz, dentre outros estilos, a partir das próprias referências e vivências de seus integrantes. São três faixas autorais e uma versão musical para a poesia “Adminimistério”, do poeta curitibano Paulo Lemisnky.  

Íris tem como norte o amor em suas mais diferentes formas, seja entre pessoas ou até mesmo o amor-próprio.” – Klaus Sena.

“Convidamos o ouvinte a saborear e vivenciar essa viagem de ritmo, melodia, harmonia e poesia. É um trabalho de coração, que celebra a amizade de pessoas de diferentes países, misturando influências de cada um.” – Alex Tea  

Alex Tea | Klaus Sena

LABO No primeiro álbum vocês eram 35 artistas. Contem pra gente como aconteceu essa gravação e como vocês conseguiram juntar toda essa galera?  

Alex Tea Em 2003, descobri minha paixão pela capoeira e, com ela, a cultura brasileira. Esse contato mudou profundamente minha compreensão rítmica e novos elementos passaram a integrar meu universo criativo. Eu comecei a conhecer o Brasil por Fortaleza, a primeira cidade que fui. Lá fiz muitos amigos músicos e, na verdade, de todas as áreas. Foi lá, em 2002, que eu conheci a Ana Carol Azeredo, nossa produtora, que me apresentou ao Klaus Sena e a partir daí teve origem toda essa história. Primeiro nós montamos uma banda de apoio no Brasil pra que eu pudesse circular tocando as músicas do meu projeto de reggae, chamado Kiwi (naquela época era Kiwi The Child, mais tarde mudamos o nome pra somente Kiwi). Nessa banda, o Klaus era o baixista, mas logo as afinidades musicais que surgiram entre eu e ele nos fez querer trabalhar em novas canções, pois eu compunha muitas músicas inspiradas na minha interpretação das músicas brasileiras, que me encantam tanto. Eu chegava com uma espécie de “rascunho” dessas músicas, em voz e violão, e o Klaus fazia a produção delas junto comigo. 

O álbum As Americas, lançado em 2015, foi o nosso primeiro trabalho com a Orquestra Raiz. Foram 10 músicas produzidas em parceria por nós, @alextea.alextea e @klaus.sena, contando com a participação de 35 artistas amigos. Com uma mistura de ritmos como reggae, samba, baião, carimbó e capoeira, o projeto é um passeio pela nossa diversidade cultural.  

LABO E esse novo lançamento, o EP Íris, tem alguma relação com o primeiro álbum? Sobre o que trata o novo trabalho? 

Alex Tea É uma continuação / evolução do trabalho que a gente fez em 2015, uma fusão das sonoridades clássicas e atuais, tocada por músicos de diversos estilos e altos talentos, baseado nas composições que fiz entre 2016 – 2020. Pois, desde que o projeto nasceu, o trabalho só continuou… E a gestação dos anos criou um resultado mais firme e maduro… 

A capa do Iris é um prisma. Para mim o simbolismo do prisma é muito poderoso, além da luz refratada ser uma coisa tão linda de ver, tem nisso uma transmutação, reconfiguração, alquimia… Temas que reverberam fortemente nesse nosso momento coletivo… A imagem da capa veio pra mim num contexto de já ter arco-íris e prisma como um motif artístico que estou curtindo muito, por ser algo simples e ao mesmo tempo profundo 

LABO Quais os próximos planos? O que, e quem, vocês gostariam de atingir com esse trabalho? 

Alex Tea Queremos alcançar mais pessoas e que nossa música reverbere com elas — mandar amor e luz para humanidade nesses tempos tão difíceis, impulsionar a ideia do coletivo que será a única cura para nós humanos. Temos planos de lançar novos clipes desse mesmo EP, mas também de gravar novas músicas e, quem sabe, até o final desse ano, lançar um novo álbum. 

Aproveito pra agradecer ao nosso selo, Índigo Azul, por tornar possível esse projeto que envolve tanta gente que admiramos, agradecer a LABO Plural Singular pelo espaço e entrevista e convidar a todos os leitores e leitoras a ouvir e passear pelas Américas com o nosso som. Você pode encontrar nosso primeiro álbum e nosso novo EP em todas as plataformas digitais e saber mais no nosso instagram @orquestaraiz e canal do YouTube do selo: https://bit.ly/indigoazul 

 

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