PIPA Music apresenta Alex Tea

Música #dubrasil

em 27 de novembro de 2020

As conexões que têm surgido com o passar do tempo confirmam o famoso efeito bumerangue: tudo que vai, volta. E nesse (ainda) pequeno tempo com a LABO, nas conversas com nossas parceiras e nossos parceiros, procuramos jogar para o universo aquilo que queremos para o mundo em que vivemos. Utópico ou não, descobrimos que existem muito mais pessoas nesse carrossel da coletividade, do que imaginávamos. 

Um desses retornos bacanudos tem sido a parceria com a PIPA Music, que todo mês nos conecta com artistas dos mais variados movimentos. O artista que estamos tendo a honra de participar do lançamento de hoje, foge um pouco à regra (e quem disse que seguimos regras?) de alguém que nasceu no Brasil, porém conhece a cultura brazuca melhor que muito nativo. 

Alex Tea

Alex Tea, um russo criado nos Estados Unidos com várias passagens pelo Brasil, é cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor. Além dos projetos autorais, Alex faz conexões com diversos produtores e músicos pelo mundo, como por exemplo Curumin, Victor Rice, Klaus Sena, Jim the Boss, Esteban Descalzo, Saulo Duarte e a Unidade, Paula Cavalciuk, Kika, entre outros tantos. 

Orquestra Raíz

Durante nosso encontro virtual, Alex contou que vem de uma família de musicistas: a mãe pianista clássica, o avô paterno violinista e o materno luthier, ele estudou no conservatório russo de música erudita e tocava piano clássico…enfim, nasceu entre notas musicais, mais especificamente a música clássica. Na adolescência entrou em contato com o rock clássico, Metallica, Guns’n’Roses, Nirvana, Hendrix, etc, mas foi na escola secundária que Alex encontrou sua identidade musical, quando o reggae roots passou a fazer parte da sua vida. Foi com os ouvidos atentos a essa nova sonoridade, que o músico acabou conhecendo a capoeira. Da capoeira para a música brasileira, foi um pulo. Alex foi parar em Fortaleza, na casa de uma família local “gente finíssima”, vivendo com eles por dois meses. Depois partiu para o Recôncavo Baiano, onde passou mais dois meses estudando capoeira. Passada quase uma década desse encontro com nossa cultura, nasceu a Orquestra Raíz. Idelizado por Alex e Klaus Sena, baixista, produtor e engenheiro de som, o projeto reuniu 35 artistas em um único disco.

“Square One”

Atualmente trabalha num projeto de reggae raíz e em um outro que funde elementos de electro-pop, soul, folk, funk e raízes. O lançamento que estamos trazendo pra vocês é o single “Square One”, ‘uma canção sobre a dança entre culpar o outro e assumir a responsabilidade por nossa parte em um conflito, e como experimentamos uma ausência de terreno firme para pisar, quando avançamos o suficiente em um galho e nos afastamos de nossa luz guia’. Um registro feito remotamente que mais uma vez uniu Estados Unidos e Brasil com música e letra de Alex Tea, mixagem do Victor Rice no estúdio Copan, e masters por Thiago Duar no PIPA Music. 

A PIPA Music é uma gravadora que há dez anos trabalha inovando e criando sons de personalidade para contar a sua história, traduzindo emoções em conteúdo sonoro. O produtor musical, sound designer e compositor Thiago Duar está à frente da PIPA Music e, a partir de agora, firmamos um compromisso para apresentar a vocês, os singles lançados pela gravadora. Vida longa às parcerias e à produção musical feita no Brasil. 

Numa manhã de sol em São Paulo e nublada em Jersey City, eu e o Alex conversamos sobre cultura brasileira, a possibilidade de vivermos num mundo melhor, arte, reggae, Covid-19 e, claro, muita música. É desse bate papo delicioso que nasceu, além de mais uma parceria, a nano entrevista da LABO. É só dar sequência à leitura.

LABO Alex, obrigada por bater esse papo com a LABO. Como um russo, criado nos Estados Unidos, caiu de amores pela cultura da capoeira? Foi por isso que nasceu o projeto Orquestra Raiz?

Alex Tea Com certeza foi através da capoeira que conheci e me apaixonei pela música brasileira, que coube no meu repertório musical como uma chave, virando uma enorme fonte de inspiração. O projeto Orquestra Raiz nasceu das parcerias musicais que cultivei com amigos no Brasil sobre os anos de visitar e colaborar. Entre as viagens pro Brasil, comecei a escrever músicas com ritmos e melodias que evocaram o som brasileiro, que depois me dei conta que foi um tributo à própria música e cultura brasileira, que virou tão central na minha vida. Em 2015 essas relações de amigos / músicos cristalizou numa coprodução com o Klaus Sena, reabrindo os meus rascunhos caseiros e ungindo as músicas com a sensibilidade e sabor dos queridos músicos nas nossas rodas sociais / musicais, e a Orquestra Raiz se tornou numa grande colaboração internacional.

LABO ‘Square One’ é uma canção que fala sobre “culpar o outro ou assumir a responsabilidade por nossa parte, em um conflito, e também a questão de como experimentamos a ausência de terreno firme para pisar, quando avançamos o suficiente em um galho e nos afastamos de nossa luz guia”. Essa reflexão é consequência de toda essa transformação pela qual o mundo está passando? 

Alex Tea Essa é uma música daquelas em que o significado das letras acabou se aplicando no micro e no macro da minha vida. Muitas pessoas passaram um tipo de crise existencial durante essa pandemia.. No meu caso, no meio do caos social político e econômico, me achei num momento muito desafiador numa relação com uma pessoa muito querida, e as letras surgiram numa meditação sobre quem eu cheguei a sentir que sou nessa relação, o jeito de lidar com os ciclos da vida, da relação com outros e comigo mesmo. Aquela tendência de culpar, de procurar uma âncora fora de si mesmo, só pra voltar no simples fato que a âncora já existe.
É uma conversa entre dois dos meus lados de ver a situação. Ao mesmo tempo é uma reflexão no nosso mundo lindo e louco.

LABO Victor Rice é um músico e produtor nova-iorquino, famoso pela sua paixão pelos ritmos jamaicanos das décadas de 60 e 70, hoje radicado no Brasil. Mais precisamente, no lendário edifício Copan, aqui em São Paulo. Como nasceu essa parceria pra produção de ‘Square One’?

Alex Tea Eu conheci o Victor através de amigos em São Paulo que, na época que eu comecei a me dedicar à música, ele já tinha se mudado pro Brasil.. Na época eu tinha uma banda chamada Kiwi e, ele foi sugerido pra mim como uma pessoa ótima pra mixar as minhas gravações: ‘Cure’ e ‘Calico’. E a gente acabou criando uma amizade e já colaboramos em várias músicas e produções… É uma amigo querido e um incrível talento na música atual. Eu aguardo cada chance de criar com ele!

Você também vai gostar disso 👇