PIPA Music apresenta Marcelo Monteiro

Música #dubrasil

em 2 de outubro de 2020

Não é de agora que a música instrumental brasileira tem se destacado dentro e fora do país. Nossos músicos percorrem os circuitos dos festivais, nacionais e internacionais, sempre com grande destaque na mídia especializada. O paulistano Marcelo Monteiro, saxofonista de primeiríssima mão começou aos nove anos de idade com a flauta doce, aos 15 convenceu o pai a lhe dar uma flauta transversal. Logo depois entrou para o já extinto Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (atual Praça das Artes), estudou também no Conservatório do Brooklin, Faculdade FAAM, ULM, harmonia com Claudio Leal e ritmos afro-baianos com Letieres Leite. Dez anos se passaram e Marcelo caiu de amores pelo saxofone, estudou o novo instrumento e deu início a uma brilhante carreira. 

Durante os anos 90 tocou em diversas bandas de forró e de reggae, e num desses shows, Marcelo conheceu o sanfoneiro Renato Cigano, músico de Elba Ramalho. Renato foi responsável por colocar o saxofonista, até então desconhecido, no circuito dos grandes nomes da música nacional começando pela própria Elba, Alceu Valença e Moraes Moreira. Depois disso tocou com Angela Maria, Junio Barreto, Ortinho, Cauby Peixoto, Simone Sou, Guilherme Kastrup, Bixiga 70, Mental Abstrato, Lavoura, Tulipa Ruiz, Marcos Valle, entre tantos outros. 

Paralelo à carreira como músico de apoio começou desenvolver um trabalho autoral e, em 2004, juntou-se à percussionista Simone Sou e ao músico, produtor e pesquisador Alfredo Bello aka Dj Tudo para inegrar o Projeto Cru, primeiro trabalho autoral. No ano de 2009 Marcelo Monteiro desenvolveu um projeto solo quinzenal para o extinto Clube Tapas, na rua Augusta, no qual durante dois anos tocou em trio formado por sax, baixo acústico (Daniel Amorin) e bateria (Mauricio Caetano), onde começou dar forma a seu trabalho autoral. Durante esse período, Marcelo estava bastante criativo e, ao final de cada apresentação, o músico compunha uma nova música. O resultado? Dois álbuns autorais, Marcelo Monteiro (2011) e Rasante (2014), e o EP Trio (2017). Marcelo também foi produtor do excelente álbum Uzoma (2018), da banda Mental Abstrato. 

“Em casa”

Durante a pandemia, apesar de estarmos todos em casa, as produções musicais e criativas, as parcerias e as gravações remotas não pararam. E para nossa sorte, depois de “Pela Janela”, música lançada no mês passado, hoje, chega em todas as plataformas de streaming e lojas virtuais “Em Casa”, novo single do artista. Além do Marcelo Monteiro no saxofone tenor e soprano e na flauta, a faixa tem a colaboração sonora de Bruno Buarque na bateria, Daniel Amorin no baixo, Fernando TRZ nos teclados e Simone Sou na percussão. Fernando Narcizo mixou e Thiago Duar é o responsável pela masterização. Uma música mais introspectiva com ares latinos, que retrata os momentos de reflexão sobre as necessidades humanas, sociais e econômicas. 

A PIPA Music é uma gravadora que há dez anos trabalha inovando e criando sons de personalidade para contar a sua história, traduzindo emoções em conteúdo sonoro. O produtor musical, sound designer e compositor Thiago Duar está à frente da PIPA Music e, a partir de agora, firmamos um compromisso para apresentar a vocês, os singles lançados pela gravadora. Vida longa às parcerias e à produção musical feita no Brasil. 

A LABO Plural Singular fez uma nano entrevista com Marcelo Monteiro para deixar esse lançamento muito mais luxuoso. Fiquem à vontade! 

Labo Tuas composições nos remetem a ambientes bastante urbanos. O quê e quem te inspira?   

Marcelo Monteiro O que me inspira para compor é meio difícil responder rsrs, porque quando paro pra compor vai sempre do improviso, vou inventando melodias e, depois, quando vejo alguma de que gostei, começo a trabalhar nela, fazendo arranjos, criando as linhas de baixo, etc. 

Labo Durante esse período de isolamento social, as parcerias e gravações remotas estão num ritmo acelerado. Como está sendo teu processo criativo na quarentena? 

Marcelo Monteiro Durante a quarentena a produção até aumentou. Como ficamos o tempo todo em casa, criar virou até uma forma de sobreviver, fiz bastantes coisas. Embora estando em casa o tempo todo, meu filho Mathias de dois anos, por não poder ir para a creche, demanda bastante atenção e tempo, então trabalho quando ele deixa rs. Mas mesmo assim consegui fazer bastantes coisas. 

O legal de trabalhar remotamente, foi reestabelecer antigos contatos e também poder conseguir novas parcerias 

Labo Cauby Peixoto é um dos maiores interpretes da música brasileira, e tu teve a honra de tocar com ele nos seus últimos oito anos de vida. Que histórias tu tem para contar desse período?

Marcelo Monteiro Tocar com Cauby sempre foi um aprendizado. Ele amava cantar. Nos ensaios ele participava como se fosse um show, às vezes o ensaio acabava e ele queria continuar a cantar. 

A relação dele com o público deixou um aprendizado também. Uma vez perguntaram pra ele qual o conselho para quem está começando na carreira de artista, e ele respondeu: “trate bem seus fãs”. E isso era nítido nele, todos os shows, sem exceção, lotavam e ele fazia questão de cumprimentar os fãs. Aliás, a gente faz música para as pessoas ouvirem. É muito gostoso estar tocando num palco, sentir essa troca com o público, essa energia. É nossa fonte de inspiração também. Quando componho fico imaginando como a música será recebida pelo público. O resultado a gente vê nos shows. 

Nos festivais é onde a gente também percebe a espontaneidade do público, porque geralmente tem outras atrações tocando no mesmo dia, e muitas pessoas foram para curtir o festival, não necessariamente pra ver nosso show, e é uma surpresa o que pode acontecer. 

Toquei no festival Music in the Park, no parque do Povo. Teve vários shows em dois dias. Me convidaram para fechar o festival. Muitas pessoas ali no público não conheciam meu trabalho. O show teria que ter 1h30 de duração, quando faltava 10 minutos para acabar, a menina da produção do festival aparece ao lado do palco querendo avisar alguma coisa, eu já imaginei que seria para tocar mais uma música e encerrar, como sempre acontece nos festivais, para cumprir o cronograma dos horários. Mas foi ao contrário, rs, ela subiu para pedir para tocarmos mais meia hora. Já tinha escurecido e a galera pedia bis e mais bis. Foi muito bom. E eu tocava com o maior prazer, essa foi uma coisa natural que eu via no Cauby também, se deixassem, ele não saía do palco. 

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