PIPA Music apresenta “Restless”, e a mente inquieta do músico Alex Tea

Música #dubrasil

em 29 de outubro de 2021

O artista que conecta artistas

Sem sombra de dúvida, música é a arte com maior poder de conexão entre as pessoas. Você não precisa entender a letra. Ritmo e melodia “fazem a mão”, ou numa linguagem nem tão informal, fazem o favor, e criam essa união entre os povos de todos os seis continentes. 

O reggae, gênero musical que nasceu na mesma época da ‘Jamaica independente‘ e é escutado, se não no mundo inteiro, em quase todo ele é, mais uma vez, o ponto de conexão entre a LABO e o músico, poeta, parceiro e amigo, Alex Tea. Vocês devem se perguntar o porquê de o Alex ser frequentador assíduo da plataforma se, a priori, estamos em busca de artistas independentes “made in brasil”. Explico: Alex Tea é do mundo, é plural, é singular, é da capoeira, é [também] #dubrasil…assim como suas composições. Ele conecta artistas de várias nacionalidades e dialoga com todas as línguas através de sua música. 

Arte: Macaulay Norman

“Restless” lançada recentemente, conta com a produção de Thiago Duar, da PIPA Music, e a versão dub (que tocou num looping eterno, enquanto escrevia esse conteúdo), produzida por Victor Rice. Esse trio tem feito um barulho afinadíssimo, com lançamentos certeiros, cheios de swing e letras que fazem a diferença por esses tempos que estamos vivendo. Como falamos no início da reportagem, não tem problema se você não entender a letra. Deixe ritmo e melodia entrarem pelos seus ouvidos e sinta a ‘brisa’ batendo suavemente. Uma canção sobre o tempo…sobre o agora…sobre o futuro…sobre ser e estar.  

Alex Tea – “Restless”

Como sempre, nossas conversas passeiam por vários tópicos. Alex, assim como eu, gosta da troca de ideias. Seguiremos conversando, via chamadas de vídeo, conectando, criando conteúdos e fazendo nano entrevistas, porque assim a vida segue numa “buena onda”…

PIPA Music é uma gravadora que há dez anos trabalha inovando e criando sons de personalidade para contar a sua história, traduzindo emoções em conteúdo sonoro. O produtor musical, sound designer e compositor Thiago  Duar está à frente da PIPA Music e, a partir de agora, firmamos um compromisso para apresentar a vocês, os singles lançados pela gravadora. Vida longa às parcerias e à produção musical feita no Brasil. 

LABO Não seria essa ‘mente inquieta’, cantada em “Restless”, a responsável por um trabalho tão rico durante esses quase 2 anos de isolamento social que estamos vivendo? 

Alex Tea A reflexão sobre a inquietude da minha mente inspirou o poema, e a pandemia catalisou aquela meditação. A nossa inquietude coletiva / cultural faz parte da catástrofe… inquieto… consumindo, criando, fazendo, torcendo e ‘indo indo’. Mas perdendo a oportunidade de reorganizar as prioridades, e cada reconhecer é um primeiro passo! 

LABO Em nossas conversas, por sinal sempre muito produtivas e felizes, falamos sobre filosofia, ‘way of life’ e música. Porém nunca perguntei quais são suas influências na música brasileira. Conta pra nós quem você tem escutado na produção musical brazuca. 

Alex Tea Bem, a minha primeira influência direta de música brasileira foi o som da capoeira– os instrumentos e ritmos, vozes e formas de canção me inspiraram e influenciam muito. Em 2003, na minha primeira ida pro Brasil, entrei numa loja de cds no aeroporto, sem saber o que procurar– por sorte o disco que apareceu pra mim foi uma coletânea chamada ’20 preferidas’ do Chico Buarque. Fiquei apaixonado pela música tão rica e bela. Para mim, a grande fonte da música brasileira é os amigos, os queridos amigos músicos que fiz durante esses anos e a minha parceira que tem um grande papel em abrir os meus ouvidos. Uma lista mesmo de artistas seria muito longa: Jorge Ben, Gil, Novos Baianos, Caetano, Elis Regina, Cartola, Baden Powell, Luis Gonzaga, Dilermando Reis e muitos outros da velha guarda. Sou meio “old-school” nos gostos. Curto muito 3naMassa, Céu, Otto, Saulo Duarte, sou fã de vários amigos músicos, ter a orientação e a participação deles nas músicas da Orquestra Raíz é um enorme privilégio! 

LABO Você já parou para fazer uma reflexão sobre quem era o Alex Tea, no início da carreira musical, quem você é hoje, musicalmente falando, e quais os rumos que pretende seguir? 

Alex Tea Passei muitos anos procurando o meu som, achando que tinha algo pra achar. No final das contas foi o meu som que acabou me achando. Bem, pelo menos sinto que eu reconheço mais a minha contribuição para a música. Sobre tempo, estou ficando cada vez menos preocupado com a reação dos outros, mas no fundo dos fundos me importo com a recepção da minha comunidade e tirar o motivo de gratificação do ego é um grande desafio. Estou feliz com o lugar onde a minha música está, mas a fome de ver ela dar um salto quântico continua me chamando. Quero melhorar e aprender a ser mais flexível. 

Hoje em dia o que me inspira muito é a ideia de colaboração com outros artistas, não só em convidar participações especiais nos meus projetos, mas participar nos dos outros, e criar novos. A boa notícia: não estou satisfeito 😅 

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