Por dentro da Farol #8

Música #dubrasil

em 19 de abril de 2021

Minha família, minha trilha sonora

Apesar do foco desta coluna ser a Farol Music, empresa de assessoria que criei e da qual me orgulho muito, quando aceitei o convite da LABO Plural Singular para participar da revista, senti que era também uma oportunidade de ir além.  Pescar dentro dos diversos artistas com os quais trabalho, aqueles que realmente me tocam, sem o compromisso contratual de escrever sobre eles. Além disso, não deixava de ser ainda, um espacinho para conversar na primeira pessoa, aflorar um pouco dos meus sentimentos, e soltar, quem sabe, repentes da intimidade. E é disso que o novo texto trata hoje.  

“Com vocês, senhor Kiko Zambianchi”. Provavelmente muitos se lembraram dele desta frase proferida no Acústico MTV Capital Inicial de 2000, sucesso estrondoso que vendeu mais de dois milhões de cópias. No entanto, antes do hit “Primeiros Erros”, virar ‘a música do Capital Inicial’, e uma das mais tocadas do acústico, ela já tinha feito sucesso em 1985, no disco “Choque”, lançado pelo mesmo ‘senhor’. A contracapa do álbum diz: “‘Dedisco’ este disco à Paola”. Na época, essa quase senhora, que hoje vos fala, e que também é filha desse tal senhor Kiko, tinha seis anos e não fazia ideia de que essa música seria a trilha sonora involuntária de toda a sua vida.  

Talvez porque as pessoas que me conhecem, sempre me olham quando ela toca. Os amigos que fazem cover, às vezes me dedicam e há quem insista para que eu arrisque cantá-la quando já tomei umas cinco taças de champanhe e tô animadona na festa. Já aconteceu alguma vezes, confesso. E não me orgulho muito do feito. Tenho uma família inteira que canta para mim e me sinto confortável em não assumir esse papel. Mas a gente já chega lá. 

Neste mesmo disco, também foi sucesso como single, em 1984, “Rolam as Pedras”, atualmente regravada no projeto solo do vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto. O álbum “Choque” trazia ainda as participações especiais de Lulu Santos e Marina Lima, ela que, inclusive, gravou uma das canções mais bonitas dele, “Eu te amo você”. 

Enfim, o currículo é extenso e eu precisaria de algumas colunas para percorrê-lo. Então separei duas das minhas canções preferidas (do momento) compostas pelo (pai) Kiko: “Deu na Loka” e “A Mina”, também gravada pelo Capital Inicial, desta vez no “Acústico NYC” de 2015. 

Kiko Zambianchi – Deu Na Loka
Capital Inicial – A Mina

Como disse antes, grande parte da família Zambianchi, escolheu se expressar nos palcos. Tenho tio e primos músicos, mas hoje, para não me estender muito, vou falar só das irmãs.  

Ana Julia, @anapassarinho, ou Ju, como eu costumo chamá-la, provavelmente não vai gostar nada de ser citada aqui.  Introspectiva, quietinha, vai logo dizer que não gosta muito dessa apresentação, que era nova demais, inexperiente, e tantos outros argumentos que ela usa para manter o talento trancado no quarto. Mas não adianta, se lançou como cantora em um show lindo, gravou esse Showlivre acompanhada por uma banda excelente, como quem não quer nada, e hoje em dia se reinventou, está preparando um trabalho mais eletrônico que logo deve começar a circular. Sempre compondo, seja para ela, para nós, ou para o mundo, Ana Julia merece ser ouvida. 

Ana Julia – “Flores e Reza”

E quando eu achava que a cota de cantoras na família já estava preenchida, veio a Giovanna. Do nada, no supetão. Sem avisar ninguém, montou uma banda de rock, a Putz. Aliás, a Giovanna é o tipo de pessoa que não descansa: cantora, pintora, diretora de vídeos, quando você achar que ela não consegue fazer mais nada, pode ter certeza, vem habilidade nova por aí. Mas vamos falar da Putz: formada por ela e pelo namorado e guitarrista Cyro Sampaio, do Menores Atos, a banda conta ainda com Antônio Fermentão na bateria e Sarah C. no baixo. Que delícia de som. Fiquei muito ‘irmã orgulhosa’ e fã de cara. Desejo vida longa a Putz!  

Putz – Eu Sei

Mas é com as bandas do meu marido, Henrike Baliú (Armada / Blind Pigs), que o trabalho e o amor se unem diariamente. E é aí que essa coluna volta a falar da Farol e de uma das nossas mais recentes divulgações, o videoclipe de “The Rebel Sound” da Armada. Gravado na cervejaria Tarantino, do meu primo Giba (é muita família para um texto só), o resultado ficou maravilhoso e a faixa antecipa o que está por vir no próximo álbum da banda.  

Armada – The Rebel Sound

E não posso negar que, quando rola um crossover familiar, é mais legal ainda. No álbum de estreia da Armada, o Henrike convidou o Kiko para criar uma versão punk rock de uma música do sambista malandro Bezerra da Silva. Dá para imaginar?  

Armada feat Kiko Zambianchi

E não foi a primeira vez que teve samba em conjunto na família. Em 2016 foi lançado o álbum “Se Assoprar, Posso Acender de Novo”, com canções inéditas de Adoniran Barbosa. Entre os intérpretes do disco, que contou com nomes como Ney Matogrosso, Criolo e Fernanda Takai, está Ana Julia e Kiko dividindo as vozes na música “Só Vivo da Noite”.

Ana Julia e Kiko Zambianchi

Para encerrar essa coluna, não poderia faltar o Felipe, meu filho e compositor favorito, que deixa claro na sua música “Rock n’ Roll é Muito Alto” que não pretende ficar de fora dessa turma toda aí não. https://www.instagram.com/p/CNjDzYQA6Xl/

Viva a música! Viva a família!  

Texto por Paola Zambianchi, jornalista com mestrado em Artes Visuais e apaixonada por música. Durante muito tempo deixou as áreas divididas: trabalhava com música, estudava artes e guardava a escrita para reflexões de si mesma. Foi com a assessoria de imprensa que resolveu misturar tudo. Hoje, à frente da Farol Music, divulga a música independente, suas ideias, sonoridades e artes gráficas.

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