Victor Fão

Música #dubrasil

em 19 de agosto de 2020

Fazer curadoria em busca de quem faz arte por esse nosso Brasilsão tem sido de uma felicidade enorme, mesmo em tempos não tão felizes assim. Confesso que é um alento neste momento. É a famosa luz no fim do túnel. No meio de tantos contatos, ligações, filmes, músicas e leituras, a gente acaba conhecendo muita gente boa, e uma dessas gratas surpresas foi o músico, e agora parceiro de fortalecimento cultural, Victor Rodrigues Fão, ou simplesmente Fão.

Latino americano e sonhador

O paulistano, que desde os 14 anos estava “gente grande” (musicalmente falando), começou tocando baixo elétrico em bandas punk rock e hardcore da Zona Norte de São Paulo. Com o passar do tempo, a energia anarquista do adolescente foi abrindo espaço para sonoridades mais chapadas como o reggae, o ska, a música jamaicana e a brasileira. Foi nessa época que Fão trocou o baixo pelo trombone… Sua primeira experiência musical com o novo instrumento foi na banda Carne de Groove. Algum tempo depois, formou com amigos a Pinguins Tropicais, onde acabou ganhando mais experiência como trombonista, tornando-se um dos principais compositores. No final de 2008 foi convidado para participar da banda de reggae Ba-Boom, o que lhe rendeu um excelente crescimento enquanto músico e compositor, além de uma participação importantíssima no Festival Ocho Rios Jazz, na Jamaica, principal evento de música do país, organizado pela lendária cantora de jazz Myrna Hague.

Victor Fão

Essa potência musical contou ainda com uma “ajudinha” dos músicos e mestres Dico Las-Casas, da Arruda Brasil Big Band, e Valdir Ferreira, da Banda Mantiqueira.

Como talento pouco é bobagem, hoje em dia Fão atua em 4 projetos sensacionais. Nômade Orquestra, como o nome diz, uma orquestra com músicas autorais que flutua entre os universos sonoros do jazz, hip-hop, dub, ska, rock, funk, música eletrônica, entre outros. Ainda não conhece? Tá marcando touca! Outro projeto é a big band Samuca e a Selva. Se não conhece é porque não lê a LABO, mas a gente dá uma ajudinha, é só clicar aqui. O Buena Onda Reggae Club e o trio Gliti, com propostas musicais bastante distintas, fazem parte da ótima safra na nossa produção cultural contemporânea. Clica aqui e depois aqui, porque esses dois projetos também já passaram pelas páginas da LABO.

E as ilustrações? Sim, porque Victor é um ilustrador de mão cheia. Bom, sobre esse tópico, vamos deixar que ele conte por si mesmo. Enquanto isso, você pode clicar aqui que nós te encaminhamos para o mundo colorido e viajandão das ilustras do artista.

Fão compõe, toca, produz, ilustra e é um ser humano gente fina, elegante e sincero (peço liceça poética), que acredita no Brasil. Nós da LABO Plural Singular, mais uma vez chegamos juntes pra trazer essa nano entrevista pra vocês, pois sabemos que quanto mais gente receber arte e amor, mais dias felizes virão. Aumentem o som e divirtam-se!

Labo Vamos começar falando sobre ilustração? Conte-nos como tudo começou e, também, como resolveu profissionalizar esse teu outro lado artístico?

Victor Antes de mais nada, muito grato por me chamar para essa nano entrevista e partilhar um tiquinho de mim com vocês. Eu nem lembro quando comecei a desenhar, pois o desenho sempre foi muito presente em minha vida. Meus pais desenham, meu irmão mais velho também, e desde criança fomos muito incentivados a desenhar. Minha mãe encapava as paredes de casa com papel pra gente ficar pintando; fazíamos pipas e desenhávamos nelas, entre outras dinâmicas que ela fazia com a gente, para entreter crianças hiperativas. No final da adolescência eu descobri os quadrinhos alternativos nacionais, coisas como Chiclete com Banana, Marcatti e descobri também o cinema, meio que junto com o punk rock, daí nasceu uma paixão e uma vontade gigante de virar artista visual. Durante muito tempo eu achei que a música seria um hobby e que a arte gráfica seria meu trabalho; não imaginava que daria pra conciliar os dois, mas tem rolado né? Fiz faculdade de publicidade e nela descobri mais sobre história da arte, desenho e design, trabalhei alguns anos em agência de publicidade e design, mas a música e os palcos falavam mais alto, aí acabei indo viver a música… tocar, estudar de verdade e participar de mais e mais bandas e projetos musicais, mas sem nunca deixar o desenho de lado. Por conta da pandemia e do momento que vivemos hoje, aonde não podemos fazer shows, decidi me dedicar, além dos estudos de música e de produção musical, aos desenhos e tenho gostado muito do resultado.

Labo Administrar quatro projetos musicais, mais o trabalho de ilustrador com a vida pessoal, deve dar um certo trabalho, né? Conservadores diriam que esse “excesso” de atividade é falta de foco. Nós da LABO achamos que é a capacidade de exercer a pluralidade criativa. O que tu tem a dizer sobre isso?

Victor Eu sempre fui meio inquieto sabe, gosto de sonhar mas gosto mais ainda de realizar as coisas e o punk me ensinou muito sobre isso, faça você mesmo sabe, daí eu tenho buscado essa inspiração e a vontade de produzir cada vez mais. Às vezes o estudo formal das coisas me entedia, então acabo fazendo tudo na prática, sabe. No fim das contas não consigo muito separar o ilustrador do músico ou do produtor, pois uma coisa acaba influenciando a outra e me levando a explorar novos caminhos, seja em qualquer uma dessas áreas. Acho que essa inquietude e vontade de realizar, alinhada à leve hiperatividade fazem eu tentar fazer todas as coisas que gosto. Temos vários exemplos de músicos magníficos que também são desenhistas, cineastas entre outras coisas artísticas, enfim, acho que tudo só enriquece a produção né?

Labo Quais as perspectivas para esse novo momento que estamos vivendo, já que os shows, tão fundamentais na vida de um músico, por enquanto estão suspensos e não sabemos quando as aglomerações serão possíveis novamente?

Victor Olha, tô tentando não criar expectativa e nem pensar no futuro ultimamente, tô bem focado no presente e no agora, porém os shows fazem muita, mas muita falta pra mim. Desde que pisei no palco pela primeira vez, sabia que lá era meu lugar, e estar longe dele tem sido difícil demais. Infelizmente, no Brasil, as perspectivas são bem baixas né, por isso tô buscando um foco na minha produção, tentando ser o mais regrado possível no dia a dia com meus estudos, minhas gravações e composições e desenhando todo dia. Espero que muito em breve as aglomerações sejam liberadas, que a tecnologia e a ciência descubram algo para voltarmos a pisar nos palcos e termos a troca de público e plateia que é fundamental para nós artistas.

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